Fachada da sede do Banco Central, em BrasíliaSérgio Lima/Poder360

O Brasil registra desde julho de 2020 uma diferença negativa entre o rendimento da taxa básica de juros (Selic) e a inflação. Um levantamento feito pela RC Consultores mostra que, mesmo com o ajuste do Banco Central de 0,75 ponto percentual na Selic, anunciado na semana passada, a diferença ainda é negativa de 2,75 p.p.

O indicador é importante porque sinaliza o ganho efetivo dos investimentos no curto prazo. Eis os percentuais abaixo (clique na linha para ler os números):

A consultoria estima que altas sucessivas do Copom (Comitê de Política Monetária) deverão elevar a taxa de juros ao patamar de 5,50% a.a. até o fim de 2021.

O próprio Copom já afirmou que a Selic pode subir para 3,5% ao ano na próxima reunião, em 4 e 5 de maio. Ou seja, haverá um ajuste de 0,75 p.p.

Para a consultoria, o ajuste do Banco Central reduz a diferença entre a Selic e a inflação atual, mas o raro ciclo de juro real negativo tende a continuar por alguns meses.

“O BC demorou demais a agir, comprometendo sua esperada missão de ‘soprar o apito’ e alertar o governo e também o Congresso para o desarranjo total das variáveis críticas da economia em 2021, sobretudo para o novo déficit fiscal monstro este ano”, diz análise da RC (íntegra).

Na visão da RC, só o ajuste da semana passada já ajudará a moeda brasileira a recuperar parte da “grave desvalorização” sofrida nos últimos meses, levando a cotação para do câmbio para R$ 5,25 ao final de dezembro.

“É o risco fiscal brasileiro –pela perspectiva ainda grave de descontrole da despesa pública em 2021 – a variável que permanece pressionando a moeda, reduzindo as chances de maior recuperação do valor do real frente ao dólar”, afirma o documento.

BOLETIM FOCUS

A RC argumenta que o país tem uma forte pressão inflacionária, e os analistas do mercado financeiro demoraram a perceber. O motivo: o abre-fecha da pandemia, a falta de vacinas para este momento da crise, o mal planejamento de leitos para atendimento aos doentes, e, sobretudo, uma “perda de rumo das autoridades do País, em nível jamais tão escancarado”.

A RC compilou as projeções do Relatório Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central e feito com economistas do mercado. Segundo eles, os cálculos são equivocados, mais frequentemente quando se trata da taxa básica Selic e da inflação no início do ano. Eis abaixo as projeções:

A RC aponta uma frustração generalizada das expectativas nos primeiros meses do ano de 2021, com uma piora rápida das estimativas do Focus entre jan.21 e mar.21

Poder360

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