Medidas contra pandemia não diminuíram emissões de gases poluentes, diz ONU

A desaceleração industrial como resultado da pandemia de covid-19 não impediu o aumento recorde nas concentrações de CO2. AP – Martin Meissner

A desaceleração industrial provocada pela pandemia de Covid-19 não freou o aumento recorde das concentrações de CO2, o gás do efeito estufa mais presente na atmosfera, anunciou a ONU.  

De acordo com o boletim anual da Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da ONU que acompanha essas questões, a concentração de dióxido de carbono na atmosfera aumentou de maneira brutal em 2019 e a tendência continuou em 2020, apesar das medidas contra a Covid-19, que provocaram a desaceleração econômica em grande parte dos países.

“A baixa das emissões ligadas ao lockdown representa pouco a longo prazo. Ora, devemos estabilizar essa curva de maneira duradoura”, declarou o secretário geral da OMM, Petteri Taalas.

De acordo com o boletim da organização, durante o período de interrupção de quase toda a atividade econômica, no lockdown de março e abril na Europa e outrros países, as emissões mundiais de CO2 registraram uma diminuição de cerca de 17%. Como as medidas atuais são menos rígidas, é difícil calcular como isso afetará a redução anual total em 2020. De acordo com estimativas preliminares, ela será de aproximadamente 4,2% a 7,5%.

No entanto, a redução não leva a uma diminuição na concentração de CO2 na atmosfera neste ano, pois as emissões passadas se acumulam com as atuais. A concentração de CO2 continuará aumentando em 2020, mas a um ritmo mais lento, sem ultrapassar as oscilações usuais no ciclo do carbono que são observadas a cada ano.

Pandemia não resolve aquecimento global

“A pandemia de Covid-19 não resolverá o problema do aquecimento global. Ela representa uma etapa para lançar ações climáticas mais ambiciosas que visam reduzir as emissões, transformando completamente nossa indústria, sistema energético e transporte”, disse Taalas.

As emissões de CO2 são responsáveis pela alta das temperaturas, intensificam as condições meteorológicas extremas, provocam o derretimento das geleiras, a elevação do nível do mar e a acidez dos oceanos. Os três principais gases poluentes são o dióxido de carbono e o protóxito de azoto, que atingiram recordes de concentração em 2019, segundo a OMM.

O dióxido de carbono resulta da utilização de combustíveis fósseis, da produção de cimento e do desmatamento, que afeta as florestas e os oceanos por muito tempo. O teor desse gás aumentou mais rapidamente entre 2018 e 2019 em comparação a 2017 e 2018, do que nos últimos dez anos em média.

“A última vez que a Terra registrou um teor similar em CO2 foi há cerca de 3 ou 5 milhões de anos: a temperatura era então de 2 a 3 Cº mais elevada do que hoje e o nível do mar superior de 10 a 20 metros em relação ao nível atual. Mas não éramos 7,7 bilhões de seres humanos”, ressaltouTaalas.

RFI 

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