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A Justiça francesa iniciou uma investigação por “quebra de sigilo profissional” depois que um cirurgião tentou vender uma radiografia de uma sobrevivente do ataque extremista em 2015 contra a sala de concertos Bataclan, informou a Procuradoria de Paris nesta terça-feira (25) à AFP.
 AP – Francois Mori

A Justiça francesa iniciou nesta terça-feira (25) uma investigação por “quebra de sigilo profissional” depois que um cirurgião tentou leiloar na internet uma radiografia de uma sobrevivente do ataque terrorista contra a casa de espetáculos Bataclan, de Paris, em novembro de 2015. O pedido de desculpas do médico, que disse “lamentar o erro”, e sua justificativa de que teria destruído o raio X não impediram a abertura do inquérito pela Procuradoria de Paris.

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A investigação por “violação do segredo profissional” está a cargo da Brigada de Repressão de Delitos contra Pessoas (BRDP, na sigla em francês). A quebra de sigilo profissional pode ser punida, segundo o Código Penal francês, com até um ano de prisão e € 15.000 de multa (R$ 92 mil). O cirurgião também está sujeito a punições disciplinares que podem culminar com a cassação de seu registro profissional e o impedimento de praticar a medicina, conforme informou reportagem do jornal Libération.

O caso foi revelado pelo portal de notícias francês Mediapart no último sábado (22). O renomado cirurgião ortopedista Emmanuel Masmejean, que trabalha em um dos hospitais de Paris da rede pública AP-HP, colocou em leilão na OpenSea, um site especializado de venda de objetos digitais NFT, a radiografia de uma sobrevivente do Bataclan.

A casa de shows foi um dos locais da capital francesa atacados por terroristas nos atentados de 13 de novembro de 2015, que deixaram 130 mortos e mais de 350 feridos.

O cirurgião, que também é professor universitário, operou a mulher no hospital europeu Georges Pompidou. O raio X mostra um dos antebraços da vítima perfurado por uma bala de kalashnikov. Segundo o site jornalístico Mediapart, o lance inicial para a radiografia era de US$ 2.776 (R$ 15 mil).

“Ato escandaloso”

O chefe dos hospitais de Paris (AP-HP), Martin Hirsh, denunciou imediatamente um “ato escandaloso e anunciou que entraria na Justiça contra o médico ortopedista.

A sobrevivente do Bataclan disse estar “muito chocada” com essa tentativa de venda e com o “desprezo” do cirurgião, informou a advogada da vítima em um comunicado.

Depois da revelação do caso e do escândalo que ele suscitou, Emmanuel Masmejean escreveu em sua conta do Twitter que lamentava o “erro”. O médico garantiu que retirou a imagem do leilão, que destruiu o raio X e que não obteve nenhum lucro.

“Me dei conta que perdi completamente a noção com essa iniciativa inadequada que ofendeu, com razão, as vítimas dos atentados que tive a honra de cuidar”, tuítou.

(Com AFP)

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