Ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta durante a coletiva diária sobre as ações do governo contra a pandemia do coronavirus/Covid-19 Sérgio Lima/Poder360 03.04.2020

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique MandettaSérgio Lima/Poder360 – 3.abr.2020

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta disse em entrevista à Folha de S.Paulo publicada nesta 2ª feira (18.mai.2020) que o uso de cloroquina para pacientes com quadro leve da covid-19 pode provocar mortes em casa por arritmia. Mandetta também diz que a prática pode elevar a pressão por vagas em centros de terapia intensiva.

Segundo Mandetta, “33% dos pacientes em hospital, monitorados com eletrocardiograma contínuo, tiveram que suspender o uso da cloroquina porque deu arritmia que poderia levar a parada [cardíaca].” O número é dos resultados iniciais de estudos que recebeu enquanto estava no governo.

O Brasil só teria enfrentado 1/3 da crise até agora e ainda vai ter 12 semanas “duras” pela frente, diz Mandetta. Para ele, o último mês do Ministério da Saúde –com Nelson Teich à frente da pasta– foi “perdido” e atualmente a pasta está “sem rumo”.

Mandetta também afirma que “nada do que está acontecendo [números de casos e mortes] hoje é surpresa para o governo federal”. E diz que era difícil estar à frente do ministério e ter o presidente indo contra as medidas recomendadas. “Entre os ministros, tentávamos arrumar a situação. Mas passava 1 dia, 3 dias, e novamente tínhamos uma situação contraditória [do presidente], seja de aglomeração ou ida a estabelecimentos comerciais”.

A leitura do ex-ministro é que a defesa da cloroquina é baseada na ideia que “se tiver 1 remédio, as pessoas voltam ao trabalho”. Mandetta diz que, se isso tivesse “lógica de assistência”, seria defendido por especialistas e não pelo presidente.

Texto redigido pela estagiária Joana Diniz com a supervisão do editor Carlos Lins

Poder360

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