Local da explosão de um caminhão de combustível no norte do Líbano (15/08/21). 
AFP – GHASSAN SWEIDAN

Um caminhão-tanque explodiu no vilarejo de Tleil, Akkar, no norte do Líbano na madrugada deste domingo (15). A Cruz Vermelha Libanesa relata pelo menos 20 mortos e 80 feridos.

A Cruz Vermelha fala de corpos tão carbonizados que é impossível identificá-los. Dezenas de pessoas com queimaduras graves foram levadas para o único hospital de tratamento de queimaduras graves da região, na cidade de Trípoli, a 25 quilômetros de distância.

Uma funcionária do hospital mais próximo da tragédia, Yassine Metlej, explicou à Agence France-Presse que “uns já não têm rosto, outros já não têm braço”. O hospital onde trabalha recusou a maioria dos feridos por falta de equipamentos.

Paul Khalifeh, correspondente da RFI em Beirute, relata que a explosão foi acidental. O incidente ocorreu após a saída de uma patrulha do exército libanês para requisitar o conteúdo do tanque armazenado ilegalmente.

Os moradores então se reuniram para tentar coletar a quantidade de gasolina que restava na cisterna, que estava escondida em uma caixa de areia. Uma pessoa presente teria acidentalmente acendido um isqueiro, causando a explosão.

De desastre em desastre, o pesadelo libanês

A nova tragédia ocorre no contexto sem precedentes de escassez que está paralisando o país. Os apagões duram até 22 horas por dia e muitas empresas fecharam por falta de combustível para alimentar geradores.

Esta semana, enquanto longas filas se formavam nos postos de gasolina, o governo anunciou o fim dos subsídios aos combustíveis e os militares foram mobilizados para forçar os postos a distribui-los. Incidentes eclodiram por todos os lados, estradas foram cortadas e protestos furiosos aconteceram.

Na véspera da tragédia, sábado, 14 de agosto, o Centro Médico da Universidade Americana de Beirute, um dos principais hospitais privados do Líbano, alertou que um desastre iminente ameaçava o país. Com a falta de combustível, em 48 horas, garantiu ele, cerca de “40 adultos doentes e 15 crianças com respiradores morrerão imediatamente”.

Não há perspectivas de melhoras. Pelo contrário, a escassez de combustível piorou nas últimas 24 horas, apesar do envio do exército libanês e das forças de segurança a quase todos os postos de gasolina do país.

Explosão de porto acelerou crise

É a escassez de óleo combustível que mais afeta o país. As padarias fecharam suas unidades de produção, causando falta de pão. Os restaurantes fecharam as portas; os centros comerciais baixaram as cortinas; hospitais fecharam departamentos inteiros. Os líderes fogem da responsabilidade.

Desde a terrível explosão que, em agosto de 2019, devastou o principal porto do país, matando mais de 200 pessoas e destruindo trechos inteiros da capital, o Líbano passa por uma das piores crises econômicas do mundo desde 1850, segundo o Banco Mundial A AFP lembra que as reservas do BDL derreteram enquanto a moeda nacional, a libra libanesa, perdeu mais de 90% de seu valor em relação ao dólar, tornando os custos de importação mais caros. O dólar americano é negociado hoje no mercado negro a mais de 20.000 libras, contra uma taxa oficial ainda mantida em 1.507 libras.

RFI

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