Pacientes esperam em fila para fazer teste de Covid. A França registrou 271 mil novos casos de Covid nas últimas 24 horas. 
Ernesto BENAVIDES AFP/Archivos

A onda da variante ômicron de Covid-19 se espalha pelo mundo como rastilho de pólvora, com recordes diários de novas contaminações. O planeta ultrapassou a barreira dos 2 milhões de novos casos registrados em 24 horas pelo planeta, sendo os Estados Unidos e a Europa ainda os principais focos de atenção do surto atual.

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Com mais de 250 mil casos diários na França, as autoridades do país apontam para uma luz no fim do túnel. O ministro da Saúde francês, Olivier Véran, disse que esta pode ser a quinta “e última onda de Covid no país”. Ainda que mais cautelosos que o ministro, os especialistas se mostram otimistas.

Com 32 mutações em sua proteína Spike, a última variante classificada como “de preocupação” pela OMS (Organização Mundial de Saúde) é de fato altamente contagiosa. Essa grande capacidade de transmissão tem transformado a ômicron na variante de maior circulação em muitos países.

A notícia pode ser melhor do que parece à primeira vista. É possível que esta onda seja a última a afetar nossas sociedades desta maneira tão radical, com um grande número de vítimas e sistemas hospitalares sobrecarregados, considera Bruno Canard, especialista em coronavírus e diretor de pesquisa do Centro Nacional de Pesquisa Científica francês (CNRS).

“Será que a ômicron é este último vírus? Nós não sabemos, mas o que sabemos é que a ômicron é tão poderosa em sua conquista do planeta que infectará a maioria dos seres humanos. Portanto, ele trará imunidade à humanidade. Será que esta imunidade será suficiente para bloquear uma nova variante? É uma possibilidade”, diz ele.

Canard acredita, por outro lado, que é provável que novas variantes venham a surgir no futuro. No entanto, segundo o pesquisador, estaríamos caminhando para uma realidade com um vírus cada vez menos ofensivo graças às vacinas e à imunidade adquirida pelas contaminações com a ômicron e as variantes anteriores.

“À medida que aparece um número novo de variantes, ainda há imunidade celular no nosso corpo que permanece e protege, pelo menos parcialmente, contra as próximas variantes”, explica o pesquisador.

Estudos recentes mostram que, como esta imunidade está sempre presente, caminhamos gradualmente para formas menos sérias.

Um vírus mais fraco

Se a evolução for esta, dentro de algum tempo é possível que o coronavírus seja visto como um vírus benigno ou, ao menos, tolerável. Algo mais próximo da gripe. No caso da Influenza, o mundo inteiro passa por epidemias durante o inverno, e adota vacinas regularmente atualizadas para as populações mais frágeis, como idosos, grávidas e bebês.

De tempos em tempos, uma variante mais perigosa aparece. A gripe A em 2009 e 2010, por exemplo, matou entre 150.000 e 575.000 pessoas pelo planeta.

Mas para que isso aconteça, a ômicron tem que continuar a se comportar como o esperado, lembra o professor Olivier Bouchaud, chefe do departamento de doenças infecciosas e tropicais do Hospital Avicenne, em Bobigny.

“Podemos sempre torcer e esperar por isso”, considera o pesquisador, mas é cedo demais para “afirmar ou prever com muita credibilidade que esta seja de fato a última tensão e que depois nos livraremos do Covid”.

O epidemiologista confirma que os vírus tendem, em sua evolução natural, a enfraquecer com o tempo.

“A ômicron marca uma mudança em comparação com as tensões que tivemos até agora, já que é certamente mais transmissível, mas perdeu sua gravidade. É neste sentido que possa ser um sinal de que o vírus está começando a perder sua virulência. Mas tenhamos muito cuidado, o Covid-19 nos acostumou a muitas traquinagens e reviravoltas, por isso devemos ter cuidado para não sermos muito assertivos”, afirma, cauteloso.

Bouchaud lembra que, embora a variante ômicron cause três vezes menos formas graves que a delta, de acordo com os últimos estudos da Grã-Bretanha, o grande número de pessoas infectadas ainda pode levar matematicamente a um grande número de hospitalizações e mortes. É muito cedo ainda para comemorar.

Jeanne Richard, da RFI.

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