Manchete do jornal Libération desta quinta-feira(10): MSF 50 anos sem medo e sem fronteiras
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O jornal Libération traz na capa uma reportagem sobre a Médicos Sem Fronteiras, organização não governamental que completa 50 anos nesta quinta-feira (10). Em 2021, os esforços da ONG se voltam principalmente para o Brasil, mergulhado na crise da pandemia.

“Hoje a maior organização médica do mundo, o MSF continua, apesar de críticas e questionamentos, a agir, de modo independente, em todos os terrenos em crise”, diz o Libé.

Criada em 1971 por Bernard Kouchner e Xavier Emmanuelli, a organização é movida por um ideal: “levar ajuda médica a quem não tem”, explica o jornal francês. Em 2019, foram dez milhões de consultas, um milhão de entradas em prontos-socorros, e milhões de pacientes vacinados contra a rubéola ou tratamentos de Aids, tuberculose ou febre amarela.

50 anos de ajuda médica

A lista de ações da MSF é imensa em 50 anos e inclui, entre outras operações, a atuação em Managua após um terremoto (1972), luta contra a fome em 1980 no Camboja e socorro às vítimas da fome no norte da Etiópia, em 1985. Em 1994, a organização perdeu 200 empregados tutsis assassinados durante o genocídio de Ruanda e, em 1995, a MSF esteve presente em Srebrenica. Pessoas que atuavam na organização e seus familiares foram mortos no massacre de sete mil homens e rapazes no enclave.

Em 1999, a MSF recebeu o Nobel da Paz. Em 2000, a organização implantou de forma pioneira a psiquiatria de guerra para tratar traumas psicológicos na Faixa de Gaza. Em 2001, atuou contra a Aids, na África do Sul. Em 2004, esteve no Darfur, onde os embates entre soldados, mercenários e rebeldes se transformam em genocídio. A lista segue, com operações na Indonésia após o tsunami de 2005, o terremoto de 2010 no Haiti, a criação de um hospital clandestino na Síria em 2012, e o combate ao Ebola em 2014.

Nos últimos anos, a MSF também se engajou na crise dos refugiados do Mediterrâneo e no drama dos rohingyas em Mianmar.

Brasil e o fiasco da pandemia

Mas este ano, o Brasil é um alvo importante das ações da MSF, um país onde a saúde pública “é instrumentalizada pelo poder político”, os rumores e fake news têm “consequências devastadoras”, além de falta constante de sedativos ou oxigênio. “Caos” e “à beira da destruição”, são termos usados pela ONG, que enviou equipes a oito estados do Brasil.

O MSF recebe acusações de arrogância ou de querer dar lições, aplicando um modelo discutido, mas eficiente. Além disso, nenhuma ONG humanitária tem o poder financeiro da MSF, o que garante a sua independência, graças a fundos privados que perfazem 98,6% de seu orçamento. Há 25 anos, a organização tinha a metade desse orçamento.

“A MSF é a ONG que pode responder rapidamente, desde o início de uma crise. Sua logística é incomparável e sua independência, especialmente a financeira, permite que as operações sejam rápidas e eficazes”, explica Nadine Cornier, ex-MSF, hoje responsável de emergência no Fundo das Nações Unidas para as populações (UNFPA). “Ninguém tem essa capacidade, nem as Nações Unidas”, acrescenta.

São 25 associações que giram em torno de cinco centros operacionais (Paris, Bruxelas, Barcelona, Atenas, Amsterdã e Genebra. O orçamento anual é de 1,6 bilhão de euros. A Covid estimulou doações, gerando 10% a mais de recursos suplementares.

Noticiário Francês 

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