O ex-juiz Sergio Moro afirmou que não se arrepende de ter retirado o sigilo e divulgado à imprensa interceptações telefônicas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em março de 2016. As conversas gravadas pela Polícia Federal incluem diálogo com a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), que o nomeou como ministro chefe da Casa Civil com o intuito de supostamente ter foro privilegiado e evitar a sua prisão.

Durante entrevista ao programa Arapuan Verdade, do Sistema Arapuan de Comunicação desta sexta-feira (7), ele reafirmou a posição e apontou que o diálogo era “sombrio” e um atesto de proteção contra a corrupção. Questionado se o ato foi político, Moro afirmou

“Eu tenho total orgulho do que fiz na Lava Jato. O processo tem que ser público, aberto, não cabe a Justiça ficar escondendo dialogo sombrio dos nossos governantes”, afirmou.

“Isso foi em 2016, eu não sabia nem quem era Bolsonaro. Eu vim conhecer Bolsonaro em 2018, quando tive um primeiro encontro com ele. Se eu quisesse interferir, eu seria candidato em 2018. Eu fui tratar disso depois porque acredito em um país melhor”, pontuou ele em outro momento da entrevista.

Relembre

O juiz Sergio Moro retirou o sigilo de interceptações telefônicas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2016. As conversas gravadas pela Polícia Federal incluem diálogo com a presidente Dilma Rousseff, que o nomeou como ministro chefe da Casa Civil.

No despacho em que libera as gravações, Moro afirma que, “pelo teor dos diálogos degravados, constata-se que o ex-Presidente já sabia ou pelo menos desconfiava de que estaria sendo interceptado pela Polícia Federal, comprometendo a espontaneidade e a credibilidade de diversos dos diálogos”.

Moro afirma, ainda, que alguns diálogos sugerem que Lula já sabia das buscas feitas pela 24ª fase da Operação Lava Jato no início do mês.

O advogado de Luiz Inácio Lula da Silva, Cristiano Zanin Martins, disse na época que a divulgação do áudio da conversa entre a presidente Dilma Rousseff com Lula é uma ‘arbitrariedade’ e estimula uma ‘convulsão social’.

A conversa:

Conversa com Dilma
Dilma: “Alô.”
Lula: “Alô.”
Dilma: “Lula, deixa eu te falar uma coisa.”
Lula: “Fala, querida. Ahn?”
Dilma: “Seguinte, eu tô mandando o ‘Bessias’ junto com o papel pra gente ter ele, e só usa em caso de necessidade, que é o termo de posse, tá?!”
Lula:  “Uhum. Tá bom, tá bom.”
Dilma: “Só isso, você espera aí que ele tá indo aí.”
Lula: “Tá bom, eu tô aqui, fico aguardando.”
Dilma: “Tá?!”
Lula: “Tá bom.”
Dilma: “Tchau.”
Lula: “Tchau, querida.”

O Advogado Geral da União, José Eduardo Cardozo, disse que o diálogo de Dilma, ao contrário da interpretação da oposição, não estava dando a Lula um documento para ele se livrar de possível ação policial.

Segundo o ministro, a presidente estava enviando a Lula o documento chamado termo de posse, para ele assinar. Isso porque Lula, de acordo com Cardozo, estava com problemas para comparecer à cerimônia de posse marcada.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui