Quem vê hoje o Aston Villa na luta para permanecer na elite do futebol inglês pode ter dificuldade para imaginar que o clube já esteve no topo da Europa. O maior título dos Villains completa hoje 38 anos, e a sua história é repleta de curiosidades. A trajetória do Aston Villa campeão europeu começa em 1980/81, e já com algumas particularidades.

A começar pelo fim de um longo jejum: 71 anos sem o título inglês. Mas o mais impressionante foi o fato de terem utilizado apenas 14 jogadores ao longo de toda a campanha campeã, e o campeonato era mais longo que o atual, com 42 jogos. Incríveis sete atletas atuaram em todos os minutos de todas as partidas.

Elenco curto causa problemas em 82 O elenco campeão podia ser forte, mas era curto, e pouco foi feito para mudar isso para 1981/82, com apenas um reforço em Andy Blair. A situação causou insatisfação no técnico Ron Saunders, e comprometeria a temporada. Logo o Aston Villa se viu com problemas por conta de lesões.

E o precário time venceu apenas um dos seus nove primeiros jogos no Campeonato Inglês. Para a sorte dos Villains, o primeiro confronto na Liga dos Campeões foi contra o frágil Valur, que perdeu as duas partidas, com 7 a 0 no agregado. O BFC Dynamo foi um adversário mais complicado. Uma vitória por 2 a 1 em Berlim foi o trunfo para o time inglês avançar de fase com o gol qualificado, depois de derrota por 1 a 0 em Birmingham.

O goleiro Rimmer acabaria por ser um dos destaques da classificação suada. Enquanto isso, a temporada inglesa do Aston Villa ia de mal a pior. O clube chegou a flertar com o rebaixamento e a crise entre Saunders e os dirigentes se agravou quando discutiam acordo sobre o seu contrato.

O técnico decidiu sair no meio da temporada e quem assumiu foi Tony Barton, da equipe técnica. Barton e Spink, os heróis improváveis Coube ao pouco conhecido Barton recuperar o Aston Villa no Inglês e também comandar o clube a uma complicada viagem para a União Soviética para encarar o Dínamo de Kiev. a partida sequer pôde ser disputada na cidade ucraniana, pelas condições climáticas, levando a uma série de problemas logísticos.

O empate em 0 a 0 foi a certeza de dever cumprido. No jogo de volta, devido às chuvas em Birmingham, o gramado por pouco não tornou impraticável a partida e o clube contou com voluntários para recuperar a tempo o campo, com a ajuda de muita areia. O placar de 2 a 0 colocou o Villa na semifinal.

O próximo adversário seria o Anderlecht, e foi uma verdadeira batalha, dentro e fora de campo. A vitória na Bélgica, por 1 a 0, valeu a classificação, seguida por um empate duro em 0 a 0 na Inglaterra. Mas o confronto fora de casa ficou marcado por cenas lamentáveis de vandalismo dos “hoolingans” do Villa.

O árbitro chegou a interromper a partida por invasão de campo e o sonho do clube por pouco não foi interrompido nos tribunais europeus. Mas a punição foi branda: multa e portões fechados para o próximo jogo como mandante. No dia 26 de maio de 1982, a grande final contra o Bayern de Munique.

O gigante bávaro de Paul Breitner, Rummenigge e companhia era franco favorito, e ninguém esperava um jogo fácil. Para piorar, um dos grandes nomes da equipe, o goleiro Jimmy Rimmer, estava em condições precárias para atuar. Com apenas nove minutos de jogo, Rimmer percebeu que seus esforços para atuar na final foram em vão: não tinha condições.

Nigel Spink, com praticamente nenhuma experiência profissional, acabou por assumir o posto, e foi um gigante debaixo da trave. O domínio pode ter sido do Bayern, mas o Aston Villa se segurou de forma valente e encontrou o gol no segundo tempo com Peter Withe. O título inesperado e cheio de percalços veio com Barton e Spink como improváveis heróis.

O Aston Villa nunca mais foi tão grande, apesar de sua torcida fanática e de toda sua tradição. O clube nunca mais chegou perto do feito e seus únicos títulos depois de 82 foram duas Copas da Liga na década de 90. Além disso, os Villains conviveram com rebaixamentos, má gestão e más campanhas. Um dia voltarão ao topo da Europa?

O Gol 

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