Ministro da Saúde diz que campanha de vacinação contra a covid-19 deve começar ‘em meados de fevereiro’ Foto: Gabriela Biló/Estadão

BRASÍLIA – O governo federal lançou nesta quarta-feira, 16, nova versão do plano nacional de imunização contra a covid-19. No documento, a pasta não estima data para começo da vacinação, mas afirma já negociar cerca de 350 milhões de doses para 2021, o que seria suficiente para imunizar 175 milhões de brasileiros. Na nova versão do plano, o governo diz ter firmado memorando de entendimento para a compra da Coronavac, vacina desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac e o Instituto Butantã, órgão ligado ao governo paulista, comandado por João Doria, adversário político de Bolsonaro.

Além dos acordos já mencionados na versão anterior do plano, que incluíam as vacinas de Oxford/AstraZeneca (210 milhões), Covax Facility (42,5 milhões) e Pfizer (70 milhões), o Ministério da Saúde adicionou ao planejamento 38 milhões de doses do imunizante da farmacêutica Janssen, que também está sendo testado no Brasil. De acordo com o governo federal, 3 milhões de doses dessa vacina seriam disponibilizadas no segundo trimestre de 2021, 8 milhões, no terceiro trimestre, e 27 milhões, no quarto trimestre do ano que vem.

O ministério também citou negociações com as farmacêuticas Bharat Biotech (Índia), Moderna (EUA) e Gamaleya (Rússia). A pasta disse ter solicitado “informações de preços, estimativa e cronograma de disponibilização de doses”, além de dados científicos dos estudos de fase 1, 2 e 3. As mesmas informações foram pedidas para o Butantã.

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, voltou a afirmar que a vacinação contra a covid-19 deve ser iniciada no País em “meados de fevereiro”. Para este cronograma, ele considerou que os dois laboratórios nacionais que participam do desenvolvimento de vacinas, Fiocruz e o Instituto Butantã, devem apresentar ainda em dezembro os dados finais de pesquisa de seus imunizantes e pedir o registro do produto na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Em evento no Palácio do Planalto em que anunciou o novo plano, o presidente Jair Bolsonaro adotou um tom de conciliação em seu discurso. “Se algum de nós extrapolou, ou exagerou, foi no afã de buscar solução”, afirmou o presidente. Ontem, em entrevista à TV Bandeirantes, Bolsonaro disse que não iria se vacinar, numa declaração que foi criticada por especialistas por desestimular a imunização no País.

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Sem máscara, o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, participaram de evento de divulgação do plano na manhã desta quarta-feira, 16 Foto: Reprodução/Ministério da Saúde

Vacina da Pfizer será usada em profissionais de saúde de capitais e regiões metropolitanas em contato direto com doentes de covid

O plano mantém quatro fases de vacinação de grupos prioritários, sendo que as três primeiras devem imunizar 49,65 milhões de pessoas. Nessa etapa inicial, a ideia é usar doses da vacina de Oxford/AstraZeneca, que será fabricada pela Fiocruz, em profissionais de saúde, idosos e doentes crônicos, além de aplicar a vacina da Pfizer em trabalhadores da saúde de capitais e regiões metropolitanas que lidam diretamente com infectados pelo coronavírus.

O objetivo é usar essa vacina em locais com melhor estrutura de armazenamento, já que ela requer refrigeração de -70ºC. A estimativa do governo é receber 2 milhões de doses da Pfizer no primeiro trimestre de 2021.

“Esta vacina demanda tecnologia diferenciada de armazenamento, orientando uma logística mais restrita e direta, de forma a mitigar potenciais perdas técnicas decorrentes de alguma falha na cadeia de frio. (…) Neste sentido, foi definido cenário de vacinação com doses da farmacêutica Pfizer aos profissionais da saúde que estiverem envolvidos na atenção a pacientes hospitalizados em municípios pertencentes às capitais e regiões metropolitanas (ainda a serem definidas)”, diz o documento.

Governo volta a incluir presidiários em grupo prioritário e inclui pessoas com deficiência, quilombolas e caminhoneiros

Após críticas de especialistas que participaram das discussões de elaboração do plano, o governo voltou a considerar a população carcerária como parte do grupo prioritário para vacinação. O ministério incluiu ainda na população-alvo da campanha quilombolas, comunidades tradicionais ribeirinhas, pessoas com deficiência severa grave e população em situação de rua. Também passaram a ser considerados prioritários na imunização trabalhadores do transporte coletivo e transportadores rodoviários de carga.

Todas essas categorias deverão ser vacinadas na quarta fase da campanha, após os profissionais de saúde, idosos e portadores de doenças crônicas. “Na medida em que haja aprovação das vacinas, disponibilidade e cronograma de entregas, será possível a avaliação de qual fase esses grupos serão inseridos”, diz trecho do plano.

Estadão 

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