Os franceses protestam há dez finais de semana contra o passaporte sanitário na França, exigido para entrar ou trabalhar em locais públicos.
 AFP – JEFF PACHOUD

“Os gauleses rebeldes vão resistir” prometeram mais uma vez neste sábado (18) milhares de manifestantes antivacina e contra o passaporte sanitário na França.  Eles voltaram às ruas pelo 10° final de semana consecutivo, no momento em que a França atinge a marca simbólica de 50 milhões de pessoas vacinadas com uma primeira dose. Isso representa 86% dos franceses com mais de 12 anos.

“Nem em sonho eu me vacinaria e pedi demissão”, declarou uma auxiliar de enfermagem. Ela trabalhava em hospital público da região parisiense e participou da manifestação deste sábado em Paris, vestindo seu uniforme branco de enfermagem. O protesto foi convocado pelo movimento dos coletes amarelos. “Não se sabe ao certo o que contém a vacina. Não somos cobaias”, justificou a mulher, de 37 anos, se dizendo “com raiva e triste”.

A obrigação vacinal para os profissionais da saúde entrou em vigor na França na última quarta-feira (15). O ministro da Saúde, Olivier Véran, informou na quinta-feira que cerca de 3.000 pessoas que se recusaram a se vacinar contra a Covid-19 foram “suspensas”.

Entre elas, Armelle, educadora especializada em psiquiatria infantil do Val-d’Oise, região parisiense, suspensa desde 16 de setembro. “Cuido da minha saúde como quero, me respeitando. Não renuncio a meu direito de escolher”, argumentou a educadora durante a manifestação parisiense.

180 manifestações em todo país

Cerca de 180 manifestações contra o passaporte sanitário foram convocadas neste sábado em toda a França. Na capital, foram três protestos. Um deles, na Praça do Trocadero, foi organizado pelo movimento de extrema direita Patriotas e reuniu centenas de pessoas.

Segundo fontes policiais, cerca 17.000 pessoas manifestaram em Paris e 120.000 em todo o país, uma mobilização em constante queda desde o início do movimento. No dia 7 de agosto, quase 240.000 manifestantes participaram dos protestos contra o passaporte sanitário e a obrigação vacinal contra a Covid.

Mais de 81% da população completamente vacinada

A campanha de vacinação anticovid na França é aberta a todas as pessoas com mais de 12 anos. Entre os 58 milhões de franceses aptos a serem imunizados, mais de 86% já receberam ao menos uma dose. A marca simbólica de 50 milhões de vacinados com a primeira injeção foi atingida neste sábado. A vacinação completa atinge 81,7% da população com mais de 12 anos.

A epidemia de Covid-19 recua na França. O presidente Emmanuel Macron afirmou na quinta-feira (16) que poderia “suspender algumas restrições” nas regiões onde o vírus circula com menos intensidade, sem indicar um calendário preciso. O ministro Véran confirmou neste sábado que as restrições, incluindo a exigência do passaporte sanitário, poderiam ser atenuadas. “Se a situação continuar a melhorar, podemos acabar progressivamente com as medidas”, disse Véran.

O passaporte sanitário, comprovando uma vacinação completa, um teste negativo ou uma infecção recente, entrou em vigor na França em 21 de julho em todos os locais públicos que recebem mais de 50 pessoas. Algumas semanas depois, o documento passou a ser exigido também em bares, restaurantes, hospitais e repartições públicas, mas somente para adultos. Em 30 de setembro, passaporte sanitário será obrigatório para os menores entre 12 e 17 anos.

A média diária de casos registrada no país nos útimos 3 dias é de pouco mais de 8.000 contaminados. A Covid matou até agora na França quase 116.000 pessoas.

(Com informações da AFP e RFI)

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