Relatório da Oxfam revela que os mais ricos aumentaram suas suas fortunas durante a pandemia.
 REUTERS/Andres Martinez Casares

A fortuna dos dez homens mais ricos do mundo dobrou desde o início da epidemia, segundo um relatório divulgado nesta segunda-feira (17) pela ONG Oxfam. O documento também revela que a renda de 99% das pessoas caiu e 160 milhões foram empurradas para a pobreza, o que  evidencia “as desigualdades econômicas, de gênero e raciais, que destroem o mundo.”

De acordo com o relatório intitulado “As desigualdades matam”, a fortuna acumulada de todos os bilionários registrou “um aumento sem precedentes” de US$ 5 trilhões, chegando, no total, a US$ 13,8 trilhões. De acordo com a revista Forbes, as dez pessoas mais ricas do mundo são Elon Musk (Tesla), Jeff Bezos (Amazon), Bernard Arnaud (LVMH), Bill Gates (Microsoft), Mark Zuckerberg (Meta/Facebook), Waren Buffett (Berkshire Hathaway) e Larry Ellison (Oracle).

Segundo a ONG, é possível vencer a pobreza impondo taxas progressivas. A Oxfam também recomenda a quebra das patentes das vacinas. Em entrevista à RFI, Quentin Parinello, porta-voz da Oxfam na França, explicou que na África, sem apoio dos governos, a crise sanitária piorou ainda mais a situação das classes menos abastadas. “No continente africano, a precariedade aumentou ainda mais. Podemos observar que a retomada econômica é bem mais proeminente nos países desenvolvidos do que na África, e isso tem, naturalmente, uma relação com o acesso às vacinas”, declarou.

Enfermeira injeta vacina contra a Covid-19 em Dakar.
Enfermeira injeta vacina contra a Covid-19 em Dakar. AP – Leo Correa

Os recursos públicos usados para apoiar setores atingidos pela crise sanitária acabaram beneficiando os mais ricos, ressalta o representante da Oxfam. “Se pegarmos o exemplo da França, a fortuna dos bilionários cresceu € 236 bilhões durante a crise e isso não está relacionado à atividade econômica das empresas, mas ao apoio do governo em resposta à crise, que injetou bilhões de euros no mercado financeiro”, salienta.

“Se observarmos a história, existem casos que mostram que, se adotarmos a boa política, financiando mais o setor público e a proteção social, podemos lutar contra as desigualdades. Elas não são uma fatalidade, são o resultado de escolhas políticas. É financiando modelos sociais mais protetores, e os financiando com impostos progressivos, que seremos capazes de lutar de maneira durável contra as desigualdades”.

Cerca de “21 mil mortes por dia”

Segundo a Oxfam, as desigualdades contribuem para a morte de pelo menos “21 mil pessoas por dia”. Os óbitos estão relacionados à falta de acesso à saúde, à violência de gênero, à fome e à crise climática.

O documento ainda revela que uma taxa excepcional de 99% sobre os ganhos obtidos com a pandemia pelos dez homens mais ricos do mundo permitiria a produção de uma quantidade suficiente de imunizantes para a população mundial, a criação de uma proteção social e médica universal e o financiamento de medidas de adaptação ao clima, além da redução da violência de gênero em 80 países.

Ativistas do movimento Friday for Future manifestam durante a COP 26, em Glasgow.
Ativistas do movimento Friday for Future manifestam durante a COP 26, em Glasgow. DANIEL LEAL-OLIVAS AFP

Ainda assim, os bilionários ainda teriam US$ 8 bilhões a mais em relação ao período pré-epidêmico. “A pandemia foi formidável para os bilionários. Os bancos centrais injetaram trilhões de dólares no mercado financeiro para salvar a economia, e uma boa parte desse dinheiro acabou no bolso dos bilionários”, diz a Oxfam.

De acordo com o Fórum Econômico Mundial, as desigualdades de acesso às vacinas contra a Covid-19 podem enfraquecer a luta por causas internacionais, como as mudanças climáticas. Neste ano, o Fórum de Davos presencial foi adiado para o verão (no hemisfério norte) por conta da variante ômicron, e acontece à distância até o dia 21 de janeiro.

(RFI e AFP)

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