Família de Alph, aluno da UFPB morto há 7 meses, busca Justiça: ‘não desistiremos jamais’

Alph e sua família; estudante da UFPB era natural de Arcoverde, em Pernambuco — Foto: Genoveva Souza/Arquivo pessoal

Filho de Genoveva e André, irmão caçula de Alexsandra, Clayton “era uma criança que já se destacava entre as demais”, segundo a família. “Clayton foi nosso segundo filho, era sempre alegre, vivia intensamente, gostava de ler, era brincalhão, muito verdadeiro, corajoso e determinado no que fazia”, disse Genoveva Tomaz de Sousa.

Desde cedo, ele se envolveu com atividades em prol da comunidade. “Quando criança já se preocupava em ajudar os mais necessitados, era missionário e participava de grupos da Igreja Católica, fazia campanhas para arrecadar alimentos, roupas e remédios para doações”, disse a mãe.

Clayton, conhecido como Alph, com o pai André — Foto: Genoveva Souza/Arquivo pessoal

Clayton, conhecido como Alph, com o pai André — Foto: Genoveva Souza/Arquivo pessoal

Natural de Arcoverde, interior de Pernambuco, Clayton veio para João Pessoa para estudar Filosofia, curso que sempre sonhou fazer. O jovem já tinha sido aprovado em universidades de Recife, mas devido ao custo de vida mais alto na capital pernambucana e por ser de uma família simples, escolheu morar na Paraíba em 2014 após aprovação na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

“Alph era muito vivo”

Clayton, conhecido como Alph em João Pessoa, integrou o Centro Acadêmico do curso de filosofia, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) e o Conselho Superior Universitário. Durante a graduação, o jovem publicou nas redes sociais denúncias sobre a equipe de segurança da UFPB.

À família, Alph contou que sofria ameaças. “Durante seu tempo na UFPB, ele sempre lutou por Justiça em favor dos estudantes. Ele sempre falava que estava sendo ameaçado e que jamais iria desistir dos seus objetivos”, disse a mãe.

Clayton Tomaz de Souza, estudante da UFPB encontrado morto em fevereiro de 2020, realizou denúncias contra a equipe de segurança da UFPB — Foto: Reprodução/TV Cabo Branco

Clayton Tomaz de Souza, estudante da UFPB encontrado morto em fevereiro de 2020, realizou denúncias contra a equipe de segurança da UFPB — Foto: Reprodução/TV Cabo Branco

Um amigo de Alph, que pediu ao G1 para não ser identificado, relata a situação que presenciou com o parceiro. “Vi e vivi várias perseguições de guardas, algumas vezes por motivo pessoal, outras por perseguição política”, disse.

Ele conta que os dois se aproximaram para tentar reativar o Centro Acadêmico (CA) de filosofia, que estava parado há nove anos. Segundo ele, Alph era muito alegre, proativo, popular e engajado, participando até de reuniões de departamento do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA), somente com professores, para representar interesses dos alunos.

“Era um ótimo amigo! Eu convivi com ele desde 2015, desde os meus primeiros dias de UFPB. Era também conhecido por ter amizades com grupos alheios e até rivais, era um sujeito bastante pragmático, hiperativo, e elétrico. Alph era muito vivo”, afirmou.

Entretanto, houve um distanciamento na amizade pouco antes do assassinato, devido às ligações de Alph com a militância política na universidade.

Segundo a família de Alph, o estudante planejava cursar direito após se formar em filosofia, para continuar lutando por Justiça. Porém, em 6 de fevereiro, ele desapareceu e dois dias depois o corpo foi encontrado com uma perfuração na nuca causada por arma de fogo.

“Foi muito difícil para nós quando recebemos a notícia do desaparecimento dele, veio logo na nossa mente tudo que ele nos falava sobre as ameaças que vinha recebendo”, conta a mãe.

Com tristeza e indignação, a família aguarda há mais de 7 meses que a morte de Alph seja esclarecida. “Até hoje tudo tem sido muito difícil… A cada dia aumenta a saudade dos momentos que estivemos juntos. Não desistiremos jamais de ir em busca de resposta”.

Para homenagear Alph, a família e amigos do estudante criaram um projeto solidário chamado ‘Ele lá e nós aqui’ para ajudar as pessoas carentes em Arcoverde.

Desaparecimento de suposta companheira

Nas redes sociais, estudantes da UFPB denunciaram em um grupo o susposto desaparecimento de Selena Foxx, dita por alguns como companheira de Alph. Apesar do delegado Alexandre Fernandes confirmar a ligação entre os estudantes, ele não confirma que os dois eram um casal.

Além disso, o delegado responsável pela investigação diz que Selena não estaria sumida. De acordo com ele, quando saiu na imprensa que Selena estava desaparecida, a mãe dela registrou o fato em um BO (boletim de ocorrência). Logo depois, a estudante entrou em contato com a família. A Polícia Civil relatou também não poder dar mais detalhes sobre o caso.

*Sob supervisão de Taiguara Rangel

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