Foto de arquivo de Jeanine Áñez, ex-presidente interina da Bolivia.
 AP – Natacha Pisarenko

A conservadora Jeanine Áñez, ex-presidente interina da Bolívia, foi detida na madrugada de sexta-feira para sábado (13) sob acusação de “insurreição” e “terrorismo” na investigação judicial que apura um suposto golpe de Estado contra o ex-presidente socialista Evo Morales, em novembro de 2019. Ela estava em Trinidad, na região nordeste do país, e foi transferida para La Paz, segundo o ministro do Interior, Eduardo Del Castillo. A política conservadora denuncia um “abuso” e diz estar sendo vítima de “perseguição política” do novo governo socialista.

Na sexta-feira (12), o Ministério Público boliviano emitiu mandados de prisão contra a ex-presidente interina e seus ex-ministros Yerko Núñez (Presidência), Arturo Murillo (Governo), Luis Fernando López (Defesa), Álvaro Coimbra (Justiça) e Rodrigo Guzmán (Energia). Além de Ánez, Coimbra e Guzmán também foram detidos e posteriormente transferidos para La Paz, onde irão prestar depoimento ao Ministério Público. O paradeiro de Núñez é desconhecido, enquanto Murillo e López se encontram foragidos e estariam nos Estados Unidos.

A investigação sobre o suposto golpe de Estado contra Morales foi aberta em dezembro passado pela ex-deputada Lidia Patty, do Movimento para o Socialismo (MAS). Ela alegou que o líder civil Luis Fernando Camacho e seu pai, influentes na região de Santa Cruz, Áñez, vários de seus ex-ministros, ex-militares, ex-policiais e civis haviam promovido a queda de Morales, em novembro de 2019.

O socialista acabara de ser reeleito, depois de passar 14 anos no poder, mas renunciou após uma onda de protestos de bolivianos que o acusaram de fraude eleitoral. A isso se somou um polêmico relatório da Organização dos Estados Americanos (OEA), que alimentou o discurso da fraude nas eleições de 20 de outubro daquele ano, nas quais Morales venceu sem necessidade de segundo turno contra seu principal rival, Carlos Table.

Denúncia de “golpe”

Camacho ainda não é alvo de um mandado de prisão do MP boliviano. Ontem, depois de tomar conhecimento da situação dos aliados conservadores, ele enviou uma carta ao presidente da Bolívia, o socialista Luis Arce, para dizer-lhe que o discurso oficial de que houve “um golpe de Estado” é “uma mentira” e o acusou de praticar “perseguição política”. Camacho afirmou na carta que “os bolivianos não ficarão de braços cruzados diante dos abusos” e garantiu que não deixará o país. O influente político venceu a eleição do último fim de semana para governador da rica região de Santa Cruz (leste), com mais de 55% dos votos. Camacho revelou que seu pai “fechou” com militares e policiais para que não defendam o governo.

Áñez, que substituiu Morales como determinava a Constituição após sua renúncia em novembro de 2019, afirmou no Twitter que “o MAS decidiu voltar ao estilo da ditadura”. “Uma pena, porque a Bolívia não precisa de ditadores, precisa de liberdade e soluções”, lamentou. Quando já estava em poder dos policiais, nesta madrugada, ela continuou a denunciar a operação. “Denuncio à Bolívia e ao mundo que em um ato de abuso e perseguição política, o governo do MAS ordenou que me prendessem. Ele me acusa de ter participado de um golpe que nunca aconteceu. Minhas orações pela Bolívia e por todos os bolivianos”, escreveu Áñez em suas redes sociais.

Neste caso, também existem mandados de prisão contra os ex-comandantes militares Williams Kaliman e Sergio Orellana e o ex-comandante da polícia Yuri Calderón. Na sexta-feira, Flavio Arce, ex-chefe do Estado-Maior, foi detido para cumprir uma pena de seis meses de reclusão.

Em mensagem no Twitter, o ministro do interior boliviano celebrou a operação. “Quero parabenizar o grande trabalho de nosso Comando Geral da #Polícia Boliviana, da Direção Nacional de Inteligência #DNI e do #FELCN por esta grande e histórica tarefa de fazer justiça ao povo boliviano”, declarou Del Castillo no Twitter.

Noticiário Francês 

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