Enquanto os jurados do processo de George Floyd eram escolhidos, manifestantes continuavam nas ruas pedindo justiça ao afro-americano. Minnesota, 19 de março de 2021.
 AFP – KEREM YUCEL

A seleção do júri para o processo do assassinato do afro-americano George Floyd foi finalizada na terça-feira (23) em Minneapolis, no norte dos Estados Unidos. O julgamento está previsto para iniciar em 29 de março, na presença de Derek Chauvin, o policial que se ajoelhou sobre o pescoço da vítima durante cerca de nove minutos e provocou sua morte, em maio de 2020. Os jurados prometem apresentar um parecer “neutro” sobre o caso.

Anne Corpet, correspondente da RFI em Washington

Após a delicada escolha do júri, 12 pessoas devem se pronunciar sobre a culpabilidade de Derek Chauvin. Fazem parte deste grupo uma avó afro-americana aposentada, uma enfermeira, duas mães solteiras brancas, dois imigrantes e dois homens de famílias interraciais: uma seleção que reflete a diversidade dos Estados Unidos. Eles foram escolhidos entre uma centena de pessoas sorteadas, no final de um processo minucioso que durou duas semanas.

Todos os jurados selecionados declararam ter assistido partes do vídeo que mostram a morte de George Floyd em 25 de maio de 2020. A gravação viralizou nas redes sociais no ano passado e suscitou uma onda de manifestações nos Estados Unidos durante meses. Os escolhidos dizem ter uma visão neutra sobre o caso e se declararam capazes de apresentar uma decisão “justa e imparcial”.

Os 12 jurados se pronunciarão sobre a culpabilidade do policial e devem apresentar sua decisão de forma unânime ao juiz no final do julgamento. Outras três pessoas escolhidas são suplentes, previstas caso titulares não se apresentem.

Teste para a Justiça

Os debates sobre o caso atrairão a atenção do país inteiro e devem durar três ou quatro semanas. No final deles, os jurados se retirarão do tribunal para discutir a portas fechadas as três acusações contra Derek Chauvin, entre elas, assassinato e homicídio involuntário.

No entanto, nos Estados Unidos, se processos contra policiais abertos após violências cometidas no exercício de suas funções são exceções, condenações são ainda mais raras. Por isso, este julgamento é visto como um teste pela justiça americana, depois da imensa mobilização contra o racismo e as violências policiais que continuaram a ocorrer após a morte de George Floyd.

Dificuldades de um júri imparcial

Durante duas semanas, uma centena de cidadãos selecionados através de um sorteio foram submetidos a uma maratona de perguntas no 18° andar de um prédio fechado ao público e protegidos por medidas excepcionais de segurança. Apesar da presença de câmeras na sala de audiência, o anonimato deles foi preservado.

Em liberdade após pagar uma fiança, Derek Chauvin acompanhou o processo com atenção, tomou notas e conversou frequentemente com seu advogado, Eric Nelson.

Alguns potenciais jurados pediram para ser excluídos, submersos pela importância do julgamento ou por razões pessoais. Outros assumiram já ter formado sua opinião sobre o caso e foram dispensados.

Nelson e o procurador Steve Schleicher tentaram identificar possíveis opiniões que podem comprometer a atuação dos jurados. Entre as perguntas feitas aos selecionados, estavam questões polêmicas, como as impressões pessoais sobre a polícia americana, as manifestações contra as violências policiais do ano passado e o movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam).

O clima esquentou durante o interrogatório e os candidatos a jurados que expressaram opiniões como “policiais são todos corruptos” ou “violências contra suspeitos negros são políticas” foram dispensados.

Noticiário Francês 

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui