A rainha Elizabeth II fará um discurso na TV neste domingo (5) para pedir aos britânicos o enfrentamento ao surto do coronavírus com força, autodisciplina e companheirismo.
 © Reuters/Steve Parsons/Pool

Em seu longo reinado, a rainha Elizabeth II fez raramente discursos pela TV. Neste domingo (5), ela falará ao Reino Unido e às nações da Commonwealth para pedir o o enfrentamento ao surto do coronavírus com força, autodisciplina e companheirismo.

Trechos do pronunciamento foram publicados neste sábado (4). O discurso tem um tom “profundamente pessoal”. A monarca de 93 anos dirá que tem fé que a população irá reagir, apesar das dificuldades.

Esta é a quarta vez em seus 68 anos de reinado que Elizabeth II pronuncia um discurso especial pela TV. Tradicionalmente, ela faz apenas mensagens anuais de Natal. A transmissão será às 19h pelo horário local (16h de Brasília).

O Reino Unido registrou neste sábado (4) um recorde de 708 mortes diárias provocadas pelo novo coronavírus. Entre as vítimas, um menino de cinco anos. Com os novos óbitos, o país contabiliza 4.313 vítimas fatais, às vésperas de iniciar a terceira semana de confinamento.

Agradecimento aos profissionais de saúde

Segundo o Palácio de Buckingham, a rainha agradecerá aos profissionais de saúde e outros trabalhadores por seus esforços durante a crise. “Falo a vocês sabendo que este período será cada vez mais desafiador”, dirá no discurso, gravado no Castelo de Windsor, a oeste de Londres. “Este é período de alteração na vida do nosso país: uma alteração que causa dor em alguns, dificuldades financeiras para muitos e mudanças enormes na vida cotidiana de todos nós”, dirá Elizabeth II.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, que contraiu a Covid-19 e está em quarentena, pôs seu governo em pé de guerra para dar uma resposta coletiva ao surto. Setecentas e cinquenta mil voluntários responderam à sua convocação para dar apoio ao Serviço Nacional de Saúde (NHS). Idosos e pessoas vulneráveis foram colocadas em auto-isolamento.

Empresas e indústrias se mobilizaram com nunca desde a Segunda Guerra Mundial. “Espero que nos próximos anos, todos possamos nos sentir orgulhosos de como respondemos a este desafio”, indicará a rainha. “Os que vierem depois de nós dirão que os britânicos desta geração foram muito fortes e que as qualidades de autodisciplina, de determinação tranquila e com bom humor e de companheirismo ainda caracterizam este país”, completará.

Precauções

A rainha e seu esposo, o príncipe Philip, de 98 anos, se mudaram para o Castelo de Windsor em 19 de março como medida de precaução por sua idade, um fator de risco para a doença. Segundo funcionários da Coroa britânica, os dois gozam de boa saúde e seguem as recomendações do governo.

O filho mais velho de Elizabeth II e herdeiro ao trono, o príncipe Charles, de 71 anos, se autoisolou em seu sítio em Balmoral, no nordeste da Escócia, após apresentar os sintomas da COVID-19.

A família real suspendeu seus compromissos e o discurso de domingo foi gravado com uma câmera com equipamento de proteção, informaram funcionários reais. Foi pedido assessoramento médico para reduzir qualquer risco para a rainha e outras pessoas, acrescentaram.

Esta será a primeira intervenção da rainha em momentos difíceis desde a morte de sua mãe, em 2002. Antes, ela se dirigiu à nação na véspera do funeral da princesa de Gales, em 1997. Também transmitiu uma mensagem em 1991, durante a primeira Guerra do Golfo, e, em 2012, agradeceu a opinião pública após as celebrações por seu Jubileu de Diamante, que marcou o 60º aniversário de sua ascensão ao trono.

Pior saldo de vítimas

O Reino Unido registrou nesse sábado 708 novas vítimas fatais pela Covid-19. Este é o pior balanço diário de mortes no país, confirmando a aceleração da epidemia que já matou 4.313 pessoas e contaminou oficialmente 41.903.

Como medida de precaução, na quinta-feira (2) foi inaugurada oficialmente por videoconferência um novo hospital de campanha de 4.000 leitos no leste de Londres, onde os pacientes mais graves serão atendidos.

Texto por:RFI

(Com informações da AFP)

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