O enviado americano pelo clima, John Kerry e a presidente da Comissão europeia Ursula von der Leyen, em Bruxelas, em 9 de março de 2021. União Europeia e Estados Unidos devem somar forças para preparar a Conferência da Onu pelo clima em Glasgow. 
REUTERS – POOL

O enviado americano para o clima, John Kerry, defendeu nesta terça-feira (9), em Bruxelas, uma cooperação “reforçada” entre os Estados Unidos e a União Europeia na luta contra as mudanças climáticas. Este é um novo símbolo da retomada das relações diplomáticas entre Washington e o bloco após os anos de governo Trump.

“Nós enfrentamos uma crise inédita”, disse o ex-secretário de Estado. A luta contra a crise climática é prioritária para o governo de Joe Biden, que fez os Estados Unidos voltar ao acordo de Paris, após quatro anos do anúncio de Donald Trump decidindo pela retirada.

“Eu venho aqui para renovar o diálogo com nossos amigos na Europa, sobre nossa cooperação sobre o clima, que foi extraordinária na preparação do acordo de Paris. Ela deve ser reforçada ainda mais”, declarou o responsável democrata, que realiza sua primeira visita à Bruxelas desde que assumiu o cargo.

Kerry destacou que a crise climática representa também uma oportunidade para novos produtos e tecnologias. “Nós não temos melhores parceiros que nossos amigos aqui na Europa e na União Europeia. É importante que nos alinhemos um ao outro”, continuou em uma declaração ao lado do vice-presidente da Comissão encarregada do clima, Frans Timmermans.

“É o momento” para agir, disse o americano, afirmando que a conferência da ONU sobre o clima prevista para novembro em Glasgow, na Escócia, para dar continuação ao acordo de Paris, será “a última boa oportunidade que temos”.

Neutralidade de emissões

Antes de Glasgow, Joe Biden deve realizar outra conferência sobre o clima, em 22 de abril, durante a qual os Estados Unidos devem anunciar novos objetivos de redução de emissões de gases do efeito estufa. O presidente americano se comprometeu a alcançar a neutralidade de emissões de gás carbônico no setor energético americano até 2035 e em toda a economia até 2050.

A presidente da Comissão europeia Ursula von der Leyen afirmou que fica feliz “ao ver um bom amigo de volta” a Bruxelas e que vê com bons olhos o retorno da primeira economia do mundo ao acordo assinado em 2015, em Paris, com o objetivo de limitar o aquecimento a menos de 2o C e, se possível, em 1,5oC em relação aos níveis anteriores à revolução industrial.

“Tê-los ao nosso lado como amigos e aliados é muito importante para nós”, disse Von der Leyen, que fez do Pacto verde uma das prioridades de sua presidência.

Os 27 países da UE concordaram, em dezembro, em aumentar seus objetivos de redução de gases do efeito estufa, visando uma diminuição das emissões em pelo menos 55% até 2030 (contra -40% anteriormente) para atingir, em 2050, a neutralidade de emissões de carbono.

Timmermans prometeu que a UE e os Estados Unidos “trabalhariam de mãos dadas para fazer de Glasgow um sucesso”. “Estou convencido de que quando os Estados Unidos e a Europa trabalham juntos, podemos mover montanhas e garantir um clima no qual nossos filhos e netos poderão viver”, acrescentou.

“A cooperação sobre a crise climática deve ser um pilar central da relação reforçada entre UE e Estados Unidos”, afirma Brendan Guy, da ONG Conselho de defesa dos recursos naturais. Para ele, os Estados Unidos devem “dar um exemplo forte de sua ambição anunciando um novo objetivo de emissões para 2030”.

(Com informações da AFP)

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