A dívida pública aumentou R$ 1,1 trilhão em 2020.Sérgio Lima/Poder360

A dívida bruta pública do Brasil subirá R$ 95,4 bilhões caso a taxa básica de juros, a Selic, seja elevada para 5% ao ano, segundo estimativas da Tendências Consultoria. Eis a íntegra (31 KB).

O cálculo considera o efeito anualizado do impacto da alta em 12 meses –até março de 2022. As estimativas foram feitas com base no estoque atual do endividamento público, que é de R$ 6,67 trilhões, segundo dados do BC (Banco Central).

Parte da dívida é indexada à Selic. Significa que alterações no patamar de juros interferem no custo de carregamento da dívida. Atualmente, com a taxa aos 2% ao ano, o custo corresponde a R$ 66, 2 bilhões.

A Selic está no menor patamar da história, mas deve ser elevada na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que termina na 4ª feira (17.mar.2021), quando há a decisão dos juros.

O mercado financeiro aposta em alta da Selic diante da inflação mais alta, que chegou a 5,20% no acumulado de 12 meses em fevereiro.  O centro da meta é 3,75%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual (de 2,25% a 5,25%). Ou seja, o patamar está perto do teto. Economistas estimam que o percentual deve superar 6% em junho, mas terá uma desaceleração até o fim do ano.

As estimativas do mercado financeiro indicam que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) terminará o ano aos 3,98%, segundo o Boletim Focus, do Banco Central.

Também deve influenciar na decisão do Banco Central o quadro fiscal mais fragilizado. O país tem deficit anual nas contas públicas desde 2014. Com a pandemia de covid-19, precisou expandir os gastos. O governo federal registrou saldo negativo de R$ 743 bilhões em 2020. O montante contribuiu para elevar o endividamento do governo, que chegou a a 89,7% do PIB (Produto Interno Bruto).

Custo de carregamentoSe a Selic se mantivesse em 2% ao ano, o custo de carregamento da dívida atual seria de R$ 66 bilhões. O valor pode chegar a R$ 165,4 bilhões, caso os juros subam para 5% ao ano, como estima o Itaú Unibanco.

Mas as projeções da maioria do mercado indicam que a taxa de juros ficará em 4% ao ano, segundo o Boletim Focus. Caso o prognóstico se confirme, a dívida atual aumentaria para R$ 63,6 bilhões.

Poder360 já mostrou que a fatura da dívida pública será de R$ 1,4 trilhão em 2021. A maior parte dos vencimentos (57%) são do 1º semestre.


Poder360

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