Ngozi Okonjo-Iweala, ex-ministra das Finanças da Nigéria, minutos antes da confirmação de sua nomeação à frente da OMC
 Eric Baradat AFP

Aos 66 anos, Ngozi Okonjo-Iweala, uma economista experiente e uma das mulheres mais poderosas da Nigéria, foi nomeada nesta segunda-feira (15) diretora-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC). Além de ser a primeira mulher a chefiar a OMC, ela também é a primeira dirigente dessa organização oriunda da África. Ela sucede o brasileiro Roberto Azevêdo no cargo.

Duas vezes ministra das Finanças e chefe da diplomacia de seu país por dois meses, Okonjo-Iweala começou sua carreira no Banco Mundial em 1982, onde trabalhou por 25 anos. Em 2012, fracassou ao tentar se tornar a presidente desta instituição financeira, contra o americano-coreano Jim Yong Kim.

Okonjo-Iweala nasceu em 1954 em Ogwashi ukwu, no estado federal do Delta, no oeste da Nigéria. Seu pai é um líder tradicional. No entanto, ela passou a maior parte de sua vida nos Estados Unidos, onde estudou em duas universidades de prestígio, o Massachusetts Institute of Technology (MIT) e Harvard.

“Ela não é uma especialista do comércio internacional. É uma grande economista, diplomada em grandes instituições. Na sua carreira, como ministra da Nigéria, ela atuava dentro de uma lógica mais liberal, o que não a distancia das teses da OMC, que é uma organização de liberalização das trocas comerciais”, analisa o professor de Economia da Universidade Paris-Nord Philippe Barbet em entrevista a RFI.

“Aguardamos a apresentação da sua equipe, pois sabemos que é preciso ter uma equipe sólida para relançar as negociações. É isso o que esperamos dela. Acho que temos de dar-lhe crédito, ela tem um grande percurso como economista e foi eleita; aguardemos suas primeiras decisões”, completa Barbet.

“Acho que ela fez um bom trabalho, seja na Nigéria ou em outros países onde trabalhou”, declarou à AFP Idayat Hassan, diretora do Centro para Democracia e Desenvolvimento, com sede em Abuja. “Ela não é apenas amada na Nigéria, mas é adorada, ela é um símbolo para as mulheres”, acrescentou Hassan.

Desde a sua criação em 1995, a OMC teve como diretores-gerais seis homens: três europeus, um neozelandês, um tailandês e um brasileiro.

Sem unanimidade

A candidatura desta mulher com uma carreira impressionante, no entanto, não desencadeou unanimidade. “Ministra, ela pode ter adotado algumas reformas de transparência, mas cerca de US$ 1 bilhão desapareceu todos os meses dos fundos estatais quando administrava as finanças”, afirma Sarah Chayes, autora de Thieves of State (Ladrões de Estado, em traduçãp livre), livro de pesquisa sobre corrupção em grande escala.

“Há uma sede por histórias positivas e, em uma época em que as questões da diversidade são levantadas no debate público, ser uma mulher negra joga a seu favor”, ressalta a autora americana. Mas, segundo ela, é “uma vergonha que pode ser levada em conta para esse cargo”.

Okonjo-Iweala nunca foi processada por roubo dos fundos do Estado, e seus críticos acreditam que ela poderia ter feito mais para evitar os desvios de dinheiro. “Ela deveria ter renunciado e exposto a corrupção”, afirma Olanrewaju Suraju, da ONG Nigeriana Human and Environmental Development Agenda.

E para aqueles que a culpam pela falta de experiência na área de comércio internacional, ela responde: “Trabalhei toda minha vida com política comercial”, declarou ela em um seminário virtual organizado em julho pela Chatham House, um centro de pesquisas britânico.

“Acima de tudo”, o diretor-geral da OMC deve ter “ousadia e coragem”, acrescentou ela, sobre a escolha não ser feita apenas com base em habilidades técnicas.

Crise econômica e de confiança

Okonjo-Iweala foi nomeada em julho como enviada especial da União Africana para a luta contra a pandemia de Covid-19 no continente. Sua missão era mobilizar apoio internacional para enfrentar a crise econômica global que afeta plenamente os países africanos.

Como presidente da OMC, ela terá muito a fazer em um contexto global de crise econômica e crise de confiança na organização, quando a liberalização do comércio globalizado é altamente criticada.

Segundo ela, o aumento do protecionismo e do nacionalismo no mundo aumentou com a crise e as barreiras devem ser reduzidas para reerguer a economia.

“Uma maneira de garantir uma oferta suficiente de vacinas e sua distribuição equitativa é remover certas barreiras impostas por leis sobre propriedade intelectual e transferência de tecnologia”, explicou nas páginas da revista americana Foreign Affairs em abril.

(Com informações da AFP)

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