O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, pouco antes de anunciar as novas medidas restritivas para conter a epidemia de Covid-19
 REUTERS – HANNAH MCKAY

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, anunciou nesta segunda-feira (12) novas medidas restritivas para tentar conter a propagação da Covid-19. Prova de que a epidemia ganha força novamente, o chefe do governo também prepara a reabertura de três hospitais de campanha que haviam sido implementados no auge da crise sanitária.

Com mais de 42.800 mortes e quase 618.000 casos positivos, o Reino Unido enfrenta uma nova onda de contágios, que agora afeta todo o território e diferentes faixas etárias. Diante da situação, o governo britânico alerta para o risco de saturação dos hospitais, em um país muitas vezes criticado pelas limitações de seu sistema de saúde.

Para ajuda a conter a propagação, três dos grandes hospitais de campanha montados no primeiro semestre e que já haviam sido fechados foram instruídos a “se mobilizar nas próximas semanas para estarem prontos para receber os pacientes, se necessário”, anunciou o diretor médico do serviço de saúde da Inglaterra, Stephen Powis. “Ainda não há tratamento, ainda não há vacina para a Covid-19. Infelizmente, isso significa que, à medida que as infecções aumentam, o número de mortos aumentará”, alertou Powis.

A situação já é preocupante nos hospitais. O número de pessoas hospitalizadas com Covid-19 na Inglaterra é agora maior do que quando o lockdown foi decretado, no final de março. Nas regiões mais afetadas, os serviços médicos que não são diretamente ligados à epidemia começaram a ter seu funcionamento prejudicado.

Exército poderá intervir

Do lado do governo, o primeiro-ministro Boris Johnson apresentou aos parlamentares um novo sistema de alerta dividido em três níveis – “médio”, “alto” e “muito alto” – que será imposto na Inglaterra. As demais nações do Reino Unido poderão adotar seus próprios dispositivos sanitários.

O primeiro nível corresponde a medidas válidas para toda Inglaterra, com confraternizações limitadas a seis pessoas e fechamento às 22h para bares e restaurantes. No nível “alto”, em áreas atualmente sob restrições locais, reuniões entre diferentes famílias serão proibidas em ambientes fechados. Nas regiões com nível “muito alto”, medidas adicionais serão aplicadas com o apoio das autoridades locais e, se necessário, do Exército.

Restrições em Liverpool

Na região de Liverpool (quase 1,5 milhão de pessoas), no Noroeste, foi firmado um acordo para o fechamento de pubs, bares, academias e cassinos, enquanto as discussões continuam em andamento com as autoridades eleitas de outras áreas do norte da Inglaterra.

“Sei como é difícil, mas não podemos deixar o serviço nacional de saúde na mão quando há vidas em risco”, defendeu o primeiro-ministro conservador, diante da insatisfação de parte de seu campo político. “Não é assim que queremos viver, mas é o caminho estreito que devemos traçar entre o dano socioeconômico de um confinamento total e o custo econômico de uma epidemia descontrolada“, justificou.

Medidas criticadas

As novas restrições foram recebidas com hostilidade por autoridades locais e os representantes do comércio, principalmente do norte da Inglaterra. Preocupada com um efeito “catastrófico” sobre a vida noturna e medidas “injustas e sem lógica científica”, a federação de bares e boates NTIA anunciou que quer contestá-las na Justiça.

Na sexta-feira (9), o governo anunciou novas medidas de assistência ao emprego destinadas a empresas que serão forçadas a permanecerem fechadas por causa das restrições de combate à pandemia. Estas empresas receberão até £ 3.000 (cerca de R$ 21.000) por mês, e seus funcionários serão remunerados em até dois terços de seu salário normal. Mas os beneficiários consideram as medidas insuficientes.

(Com informações da AFP)

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