Maria Ressa, jornalista filipina e fundadora do site Rappler, recebeu no domingo (2) o prêmio Liberdade de Imprensa de 2021 da Unesco. 
 AP – Aaron Favila

A informação como bem público é o tema da ONU para o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa de 2021, celebrado anualmente em 3 de maio. Premiada pela Unesco, a jornalista filipina Maria Ressa falou sobre a questão à RFI.

“Se você não tem fatos, você não tem mais verdade. Sem verdade, você perde a confiança. E sem esta confiança, a batalha pela verdade é impossível nestes tempos de desafios existenciais como as mudanças climáticas e a pandemia de coronavírus”, declarou Ressa, que recebeu no domingo (2) o prêmio Liberdade de Imprensa de 2021 da Unesco.

Fundadora do site de jornalismo investigativo Rappler, Ressa sofre ameaças devido às críticas feitas ao presidente filipino, Rodrigo Duterte. A perseguição contra jornalistas, segundo ela, é uma situação frequente em países governados por líderes ultraconservadores.

“As plataformas que pretendem nos informar, nos entregam, na verdade, mentiras, misturadas com raiva e ódio. Vemos nas redes sociais, estes ciberexércitos pagos pelos governos autoritários que atacam a democracia. Esta é uma tendência em inúmeros países que temos que combater”, disse.

Informação como bem público

Em mensagem divulgada por vídeo nas redes sociais, o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, falou sobre a censura e o assédio vividos por profissionais da imprensa. Ele lembrou que a informação é essencial durante períodos críticos, como o atual, em que o mundo luta contra a pandemia de Covid-19, e lembrou que “a informação é um bem público”.

Segundo ele, os desafios criados pela crise sanitária “sublinham o papel crítico da informação confiável, verificada e universalmente acessível para salvar vidas e construir sociedades fortes e resilientes”. “Jornalistas e profissionais da imprensa nos ajudam a navegar por um cenário de informações em constante mudança”, ao mesmo tempo em que se enfrenta imprecisões e inverdades perigosas.

Para a ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF), “o jornalismo é uma vacina contra a desinformação”. No entanto, segundo o relatório anual da organização, esta liberdade é obstruída em mais de 73% dos países estudados, entre eles, o Brasil.

De acordo com o mais recente ranking mundial da liberdade de imprensa da RSF, que avalia cada ano a situação em 180 países e territórios, o Brasil caiu quatro posições em 2020. No documento, a ONG afirma que o acesso dos jornalistas brasileiros aos números oficiais sobre a epidemia tornou-se extremamente complexo devido à falta de transparência do governo de Jair Bolsonaro, “que tentou por todos os meios minimizar a escala da pandemia, gerando inúmeras tensões entre as autoridades e os meios de comunicação nacionais”.

Em todo o mundo, nos primeiros quatro meses de 2021, segundo a RSF, oito jornalistas foram assassinados exercendo a profissão e 317 foram presos.

Proposta contra fake news

Os ministros das Relações Exteriores do G7 se reúnem presencialmente pela primeira vez desde o início da pandemia, a partir desta segunda-feira (3), em Londres. Um dos objetivos da reunião é discutir um mecanismo de reação rápida contra a difusão de fake news e para conter a propaganda e a desinformação promovida pela Rússia e China.

De acordo com autoridades do Reino Unido, dos Estados Unidos e da União Europeia, Moscou e Pequim estão criando problemas no Ocidente, espalhando notícias falsas em épocas das eleições ou divulgando informações falsas sobre as vacinas contra a covid-19.

A Rússia nega qualquer interferência além de suas fronteiras e acusa o Ocidente de promover uma “histeria hostil”. Já a China afirma que os países ocidentais têm um comportamento colonialista e agem como “a polícia do mundo”.

Noticiário Francês 

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