Várias pessoas de frente para o mar na cidade grega de Tessalônica, em 1o de maio de 2020, após um mês de proibição de acesso ao local – AFP

Dez anos depois de uma das piores crises de sua história, a Grécia teme que sua economia caia de novo em uma recessão profunda provocada pela pandemia do coronavírus.

Embora o país tenha menos casos de contágio e mortes do que seus vizinhos europeus, a Grécia “não será uma exceção na recessão muito profunda esperada em todo mundo”, alertou o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, na terça-feira passada.

O país antecipava um crescimento de 2,4% para 2020.

Com o confinamento geral imposto nas últimas seis semanas para conter a pandemia, espera-se agora uma redução de 10% no Produto Interno Bruto (PIB) para 2020, antes de uma recuperação de 5,5% em 2021, aponta o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Credor da Grécia junto com a União Europeia (UE) e o Banco Central Europeu, o FMI acredita que o turismo, correspondente a 12% do PIB, sofrerá enormes perdas.

O Estado grego pode perder de 8 bilhões a 10 bilhões de euros em receita este ano, segundo o primeiro-ministro.

Governo e especialistas suavizam estes números, porém.

O ministro das Finanças, Christos Staikouras, acredita que haverá uma recessão limitada a 4,7%.

O especialista Panayotis Petrakis afirma que “o cenário que permanece, se não houver agravamento da pandemia, é de um declínio de 6%”.

Este professor de Economia da Universidade de Atenas explica que “a crise atual não é tão preocupante quanto a de 2010, que tinha características diferentes”.

À época, a Grécia perdeu 25% do PIB, e o desemprego atingiu mais de 27% da população ativa. Hoje é de 16%, o mais alto da área do euro. “A nova recessão afetará o desemprego, mas não o custo dos títulos gregos”, diz Panayotis Petrakis.

– Lembrança de 2010

Em 2010, o déficit público aumentou para 12,7% do PIB, e a taxa proibitiva dos títulos gregos impediu o financiamento nos mercados. A possibilidade de um “default” fez a zona do euro tremer.

Os gregos ainda se lembram da imagem de Georges Papandreou, então primeiro-ministro socialista, anunciando um plano de resgate em 23 de abril de 2010 em um porto na ilhota de Kastelorizo, no Mar Egeu.

Em 2 de maio de 2010, Atenas assinou o primeiro “memorando” com seus credores, um plano de resgate drástico em troca do primeiro de um total de três empréstimos à Grécia da ordem de € 350 bilhões.

Três dias depois, três pessoas morreram em um incêndio durante uma manifestação em massa em Atenas, o prelúdio de inúmeros ataques e protestos violentos.

A Grécia não foi capaz de se financiar nos mercados até 2018, depois de sanear suas contas públicas. O preço que teve de pagar foi o empobrecimento de sua população.

A taxa de juros da dívida grega de 10 anos caiu para o nível mais baixo em fevereiro, menos de 1%.

Desta vez “o país não corre o risco de ‘default’, apesar de uma dívida pública significativa”, de 176% do PIB, diz Panayotis Petrakis.

Ele afirma, porém, que “a demanda por títulos gregos pode ser afetada, porque eles competirão com os de outros parceiros europeus”.

Um estudo do Eurobank prevê que os bancos recapitalizados durante a crise estarão novamente sob pressão. Contra o coronavírus, o governo anunciou 17,5 bilhões de euros em ajuda a empresas e funcionários, um montante que sobe para 24 bilhões com fundos da UE.

Nesse contexto, muitos trabalhadores do setor privado se encontram em uma situação de desemprego temporário e temem ser demitidos.

O ministro das Finanças já alertou para o risco de desemprego perto de 20%. Com menos de 150 vítimas de coronavírus, a saída do confinamento começará na segunda-feira na Grécia, com a reabertura do pequeno comércio. Cafés e restaurantes não reabrem antes de 1º de junho.

Istoé 

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