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O exemplo vem do alto, mas quem melhor o segue não é quem deu o exemplo, mas o aprendiz marginal. Bolsonaro, em 7 de setembro do ano passado, disse que não mais respeitaria as ordens de Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal, a quem chamou de canalha. Recuou 48 horas depois.

No vocabulário do bolsonarista de raiz que se elegeu deputado federal pelo Rio rasgando uma placa de rua com o nome da vereadora assassinada Marielle Franco (PSOL) não tem a palavra recuo. Para frente, sempre. Não precisa anunciar que não cumprirá as ordens de Alexandre, simplesmente as ignora.

O ministro mandou que ele usasse tornozeleira eletrônica e que se limitasse a sair de casa para ir exercer seu mandato na Câmara. Daniel Silveira (PTB) não usou e saiu para onde quis, até para uma festa. Mandou dizer que a bateria da tornozeleira não funcionava. E repetiu seus ataques ao Supremo no dia em que foi condenado.

Bolsonaro, em quem ele se espelha ao pé da letra e para além, indultou-o para que não fosse preso e obrigado a cumprir pena de 8 anos e 9 meses de cadeia. Silveira sentiu-se à vontade a partir daí para fazer o que quer. Alexandre mandou outra vez que ele fosse intimado porque o indulto não o livra da tornozeleira.

Silveira recusou-se a assinar a intimação levada ao seu gabinete por um oficial de Justiça. Não bastasse, voltou a dizer que não usará mais tornozeleira. Então, Alexandre multou-o novamente, mandando bloquear 405 mil reais nas suas contas bancárias. Silveira não ligou. Bolsonaristas se cotizam para pagar a multa.

Os extremistas de direita passaram a tratá-lo como herói. No último fim de semana, um empresário pôs um jatinho à disposição de Silveira para que ele tivesse tempo de participar no Rio e em São Paulo das manifestações convocadas por Bolsonaro que pediram o fechamento do Supremo e a volta da ditadura.

O país assiste perplexo ao vilipêndio da Justiça promovido por um deputado marginal que, à época em que era policial militar, foi punido mais de 60 vezes por seus superiores, e se orgulha disso. Isso vai durar até quando, Alexandre?

Metrópoles 

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