Cidade chinesa de Wuhan fará testes em todos seus habitantes após novos casos de Covid-19
 AP – Ng Han Guan

As autoridades chinesas decidiram nesta terça-feira (3) examinar todos os residentes da cidade onde surgiu a Covid-19, Wuhan, afetada por novos casos de coronavírus, em um momento em que a variante Delta, altamente contagiosa, está pressionando um número crescente de países a impor restrições. O ressurgimento do vírus, que está atingindo países que há muito acreditavam ter superado o pior, está sendo ajudado pelo declínio das taxas de vacinação e por novas mutações mais perigosas.

A cidade de 11 milhões de habitantes, onde o vírus foi descoberto em 2019, está “implementando rapidamente testes para todos os seus residentes”, disse Li Tao, um alto funcionário local, a repórteres um dia depois que sete casos de Covid-19 foram detectados.

As infecções foram verificadas em trabalhadores migrantes na cidade, dos quais quatro não apresentavam sintomas.

A China ordenou o confinamento de moradores de cidades inteiras, suspendeu o transporte interno e realizou testes em massa nos últimos dias para combater seu maior surto de coronavírus nos últimos meses.

O país relatou 61 infecções locais nesta terça-feira (3), com um surto da variante Delta, de rápida disseminação, que atingiu dezenas de cidades após uma série de infecções entre funcionários do aeroporto de Nanjing que causou uma cadeia de contágios em todo o país.

Grandes cidades, incluindo Pequim, testaram milhões de residentes e isolaram prédios residenciais para conter o surto do vírus.

A China, onde a epidemia apareceu pela primeira vez no final de 2019 na metrópole de Wuhan, acreditava ter praticamente erradicado o vírus, não tendo mais casos de infecções locais por meses. Isso permitiu aos habitantes retomar uma vida normal e uma recuperação em sua economia.

Wuhan foi a primeira cidade do mundo a ser colocada em quarentena em 23 de janeiro de 2020. Os testes em seus habitantes começarão esta semana e durarão pelos próximos 76 dias.

Medidas radicais

Em toda a China, o regime comunista mais uma vez lançou um arsenal de medidas radicais semelhantes às do início de 2020, com o isolamento de certas cidades, viagens limitadas e ampla triagem.

Na Austrália, soldados foram posicionados nas ruas de Sydney, a maior cidade do país, que entrou em sua sexta semana de lockdown, que deve permanecer em vigor até o final do mês.

As autoridades estão trabalhando para controlar a propagação da variante Delta, com mais de 3.600 casos registrados na área metropolitana desde meados de junho.

Apenas cerca de 15% da população da Austrália, que chega a 25 milhões, recebeu duas doses da vacina e a estratégia das autoridades é conter para limitar a propagação do vírus.

Isso continua a afetar os países onde os programas de imunização têm sido relativamente eficazes.

Nos Estados Unidos, atingidos por uma nova onda ligada à variante Delta, as hospitalizações estão atingindo níveis comparáveis ​​aos da onda do verão passado.

Na segunda-feira, o país atingiu com um mês de atraso a meta estabelecida pelo presidente Joe Biden que era de ter uma taxa de 70% de adultos tendo recebido pelo menos uma dose da vacina anticovid no dia 4 de julho, quando se comemora a festa nacional do país.

Terceira dose

Mas a desaceleração da campanha de vacinação, especialmente nas regiões tradicionalmente conservadoras do Sul e Centro-Oeste, bem como entre as populações mais jovens, empobrecidas e de minorias étnicas, impediu o país de atingir essa meta.

“Esses casos estão concentrados em comunidades com taxas de vacinação mais baixas”, disse Jeff Zients, o coordenador de pandemia da Casa Branca, a repórteres.

“Um em cada três casos em todo o país foi detectado na Flórida e no Texas na semana passada”, disse ele.

Os Estados Unidos, entretanto, observaram uma recuperação na taxa de vacinação nas últimas semanas, especialmente nas regiões mais afetadas pela recente onda de Covid-19.

Diante da variante Delta, alguns países começaram a oferecer uma dose de reforço da vacina. De acordo com laboratórios, uma dose adicional fornece proteção imunológica aprimorada, especialmente no que diz respeito à disseminação desta variante.

A Alemanha anunciou na segunda-feira (2) que vai oferecer, a partir de 1º de setembro, a administração de uma dose de reforço para populações idosas e vulneráveis, bem como para pessoas que não receberam a vacina de RNA mensageiro. Esta decisão é “do interesse da saúde preventiva”, afirmou o Ministério da Saúde.

A Suécia também indicou que planeja oferecer uma dose de reforço da vacina anticovid para “uma grande parte da população” em 2022, mesmo que possa começar com populações vulneráveis ​​já neste outono.

“Nossa avaliação é que não é possível erradicar o vírus e que o trabalho de vacinação deve ser de longo prazo e focado na redução de doenças graves e mortalidade”, disse o epidemiologista-chefe, o sueco Anders Tegnell.

(Com AFP)

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