Covid-19: China registra 1ª morte após oito meses e equipe da OMS chega a Wuhan


Mãe com seu filho em centro comercial de Wuhan, em 13 de janeiro
 NICOLAS ASFOURI AFP

A China registrou nesta quinta-feira (14) sua primeira morte por Covid-19 em oito meses. O primeiro caso da doença foi notificado no país há um ano, que havia praticamente erradicado a epidemia desde abril, graças ao controle dos movimentos da população, ao uso generalizado da máscara e ao rastreamento de contaminações pelo telefone celular.

Nos últimos meses, os contágios vêm aumentando na China, mesmo que em proporção bem menor do que em outros países.

Nesta quinta-feira, as autoridades chineses anunciaram o pior balanço desde o mês de março de 2020. A maioria das novas contaminações foram notificadas em Hebei, a província em torno da capital, Pequim, com 81 novos doentes e onde a morte foi registrada.

O último caso fatal havia sido notificado em maio. Segundo o governo chinês, o número total de óbitos já totalizou 4.635 vítimas.

A notícia gerou milhões de reações na rede social Weibo, a mais utilizada no país, equivalente ao Twitter. “É chocante. Fazia tanto tempo que eu não tinha ouvido falar de morte na China”, escreveu um internauta, que espera rapidamente pelo fim da epidemia. Nos últimos dias, vários focos de contaminação apareceram no país.

A província de Heilongjiang, perto da Rússia, decretou estado de emergência e seus 37,5 milhões de habitantes não podem deixar a região, para evitar aglomerações. Uma das cidades da província, Suihua, foi colocada em quarentena nesta segunda-feira. Os moradores devem ficar em casa e os transportes públicos foram suspensos.

O aumento do número de casos de Covid-19 preocupa as autoridades com a chegada do Ano Novo chinês, que acontece, neste ano, no dia 12 de fevereiro e é marcado pela circulação intensa da população de uma região a outra. É pouco provável, entretanto, que o vírus se propague em grande escala, disse Feng Zijian, diretor-adjunto do Centro Nacional de Controle e Prevenção das Doenças.

Equipe da OMS chega à Wuhan

A equipe de especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) encarregada de investigar a origem do coronavírus chegou nesta quinta-feira à cidade chinesa de Wuhan, berço da epidemia. As imagens da chegada foram transmitidas ao vivo pela televisão pública CGTN.

Pequim busca descartar qualquer responsabilidade pela pandemia que já causou quase dois milhões de mortes no mundo. Prevista inicialmente para a semana passada, a viagem foi adiada no último minuto, por não ter todas as autorizações necessárias. Os especialistas terão de respeitar uma quarentena de duas semanas em território chinês.

A equipe é formada por 10 cientistas de diferentes nacionalidades e deverá durar entre cinco e seis semanas. O objetivo é explorar “todas as pistas”, “sem designar um culpado”, indicou Fabian Leendertz, do instituto Robert Koch, na Alemanha. “Trata-se de entender o que aconteceu para reduzir os riscos no futuro”, declarou.

Comitê da OMS se reúne para tratar variantes do coronavírus

O comitê de emergência da Organização Mundial da Saúde (OMS) se reunirá na quinta-feira, com duas semanas de antecipação, para tratar das variantes do novo coronavírus, muito mais contagiosas e que preocupam autoridades de todo o mundo.

O comitê costuma se reunir a cada três meses, mas “desta vez, o diretor-geral convidou os membros duas semanas antes do previsto para estudar os temas que requerem um debate urgente. Trata-se das recentes variantes e do uso de certificados de vacinação e teste para viagens internacionais”, explicou a OMS em um comunicado publicado na noite desta quarta-feira (13).

Após o encontro serão publicadas as recomendações  da organização. Foi esse comitê que, durante sua segunda reunião, em 30 de janeiro de 2020, aconselhou o diretor-geral da organização sanitária da ONU, Tedros Adhanom Ghebreyesus, a declarar a emergência de saúde pública de alcance internacional (o alerta máximo no tema das epidemias).

Segundo a OMS, a variante detectada inicialmente no Reino Unido já está em 50 países e territórios, enquanto a sul-africana foi identificada em 20, embora esta estimativa possa estar subestimada. Uma terceira mutação, originária da Amazônia brasileira e que o Japão anunciou ter descoberto no domingo, está sendo analisada e poderia ter um impacto na resposta imunológica, segundo a organização, que a considerou uma “variante preocupante”.

(RFI e AFP)

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