El presidente congoleño, Felix Tshisekedi, entre el primer ministro británico, Boris Johnson (izq), y el presidente de EEUU, Joe Biden, antes de hablar en una sesión de la COP26, el 2 de noviembre de 2021 en la ciudad británica de Glasgow
 Erin Schaff Pool/AFP

As negociações da 26ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP26) continuam em Glasgow, após a partida dos líderes mundias. No terceiro dia de conferência, as promessas de corte de investimentos em combustíveis fósseis a partir de 2022 e as discussões sobre o uso de jatinhos privados para participar do evento sobre o aquecimento climático foram temas de destaque.

Depois da partida dos chefes de Estado, hoje foi dia de debater o financiamento da transição energética e as medidas necessárias para desenvolver o combate ao aquecimento global na economia. Tudo sobre o olhar crítico de especialistas e ativistas ambientais.

Redução da compra de combustíveis fósseis

O Reino Unido, a Dinamarca e mais uma dezena de países vão suspender suas compras e investimento em combustíveis fósseis vindos do exterior e aplicar os recursos em alternativas verdes de energia. O compromisso, que envolve também instituições financeiras como o Banco Europeu de Investimento, deve ser anunciado na quinta-feira (4), de acordo com o jornal britânico Guardian.

Para Collin Rees, gerente do programa de transição energética, a iniciativa marcará uma grande mudança no mercado mundial de energia. Apenas o Reino Unido gasta cerca de U$ 7 bilhões por ano na compra de energias fósseis, valor que deverá ser usado anualmente em energia limpa.

O premiê britânico Boris Johnson já havia anunciado seu engajamento em dezembro de 2020 com vistas à COP26. Na ocasião, BoJo afirmou que o governo britânico deixaria de comprar combustíveis fósseis “assim que possível”. A expectativa é que o anúncio de quinta detalhe um plano de corte no investimento em petróleo e gás a partir do próximo ano.

Descarbonização da economia

A aliança do setor privado pela neutralidade de carbono (Gfanz), lançada há alguns meses, foi ampliada: 450 agentes financeiros de 45 países, responsáveis por US$ 130 bilhões em ativos, prometem trabalhar para o equilíbrio entre as emissões de carbono e sua absorção até 2050.

O anúncio foi feito por Mark Carney, que está liderando a Glasgow Financial Alliance for Net Zero. Segundo ele, estas instituições, que reúnem bancos, seguradoras e corretoras de ações, estão comprometidas em “fazer sua parte para a redução de emissões pela metade dentro desta década” e vão rever suas metas a cada cinco anos.

A comunidade de ambientalistas, no entanto, criticou o acordo, ressaltando que a aliança financeira não impede o investimento em carvão ou petróleo.

US$ 100 bilhões por ano para países em desenvolvimento

O financiamento das ações necessárias para transição climática é tema central nas discussões sobre como limitar o aquecimento global a 1,5°C.

O ministro de Finanças britânico, Rishi Sunak, garantiu nesta quarta-feira que será assinado um compromisso de transferências de US$ 100 bilhões de dólares por ano dos países mais ricos às nações pobres que mais têm sofrido com a desregulação climática.

Patricia Espinosa, secretária-executiva da convenção climática da ONU, disse esperar que a meta seja atingida já para 2022, após os anúncios feitos por países como Japão, EUA e Grã-Bretanha desde domingo.

ONGs reclamam entrada em painéis

Várias ONGs denunciaram nesta quarta as restrições de acesso impostas pelos organizadores da COP26. Especialistas e ativistas têm tido dificuldades para aceder às negociações devido às restrições impostas pela ONU.

Os ativistas reclamam de falta de transparência, enquanto a organização da COP26 afirma se tratar de uma questão sanitária devido à pandemia da Covid-19.

Do lado de fora do centro de conferências, centenas de ativistas ambientais acusaram a COP26 de “greenwashing”. A polícia escocesa afirmou que duas pessoas foram presas por jogarem tinta em policiais.

Jatinhos da discórdia

O uso de jatinhos particulares para chegar à Escócia e participar de um acordo de compromisso climático foi alvo de denúncia na imprensa britânica.

A empresa de análise de aviação Cirium contou 76 jatos particulares que pousaram no aeroporto de Glasgow ou perto dele nos quatro dias anteriores à abertura da COP26, relatou a BBC. Os jatinhos são cerca de dez vezes mais poluentes que aviões de carreira.

O próprio premiê britânico embarcou em um deles para voltar a Londres e participar de um jantar, denunciou a imprensa britânica. Boris Johnson foi acusado de hipocrisia pelo partido trabalhista, de oposição. O governo britânico afirmou que a decisão foi tomada por conta da economia de tempo.

De acordo com jornal britânico The Times, são esperados que cerca de 400 jatos particulares passem pela cidade por conta das duas semanas de cúpula climática. As 400 aeronaves emitirão cerca de 13.000 toneladas de CO2 para a atmosfera.

Ausentes, China e Rússia respodem a críticas americanas

Líderes de países conhecidos como grandes poluidores, Vladimir Putin e Xi Jinping decidiram não ir à Escócia para a COP26, mas não gostaram das críticas feita pelo americano Joe Biden sobre sua postura.

Pouco antes de deixar Glasgow na noite de terça-feira, o presidente dos Estados Unidos afirmou que o chinês havia cometido “um grave erro” ao não ir à Escócia e que a China não “se mostra disposta a fazer nada” pelos graves problemas causados pela crise climática e estendeu as críticas a Putin.

Em Pequim, o porta-voz diplomático chinês Wang Wenbin afirmou nesta quarta-feira que “atos dizem mais do que palavras” e chamou o discurso de Biden de “oco”. Em Moscou, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, reafirmou o compromisso da Rússia em relação ao aquecimento global e disse que as ações do país neste tema eram “coerentes, pensadas e sérias”.

(Com informações da AFP)

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