Coronavírus: Segundo a OMS, os idosos devem permanecer em isolamento social. Essa também é a recomendação dos países atingidos pelo vírus

Nas últimas semanas, o isolamento social tem sido um dos principais assuntos e desafios à população brasileira diante da crise provocada pelo novo coronavírus. Pertencentes ao grupo de risco da doença, os idosos estão – ou deveriam estar – no chamado isolamento social. Sem poder ter contato com familiares e amigos, muitos têm recorrido a vídeo-chamadas por WhatsApp, troca de mensagens e até aulas online para enfrentar a rotina dentro de casa.

“Sou praticante de tai chi e yoga e, como tenho uma varandinha no apartamento, pratico ali. Tenho os exercícios que o professor passa por vídeos e em grupos de WhatsApp que participo e vamos improvisando dentro de casa para se exercitar”, conta Maria de Lurdes Oliveira, 72 anos, que vive em São Paulo.

Segundo recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), o isolamento social dos idosos, que compõem o grupo de risco da doença ao lado de pessoas com doenças preexistentes, é fundamental para conter a disseminação do vírus e as mortes provocadas pela Covid-19.

A entidade ainda recomenda que, durante o período de quarentena, a saúde mental do idoso também seja observada. Entre as orientações sobre o tema indicadas pela OMS em cartilha publicada no mês passado, há a menção a exercícios físicos simples para fazer dentro de casa com o intuito de não reduzir a mobilidade do idoso e a criação de rotinas e tarefas regulares.

Maria de Lurdes, que conta com a ajuda do neto para atividades do dia a dia, diz que tem vivido dias calmos de isolamento. “As notícias podem deixar a gente muito intranquilo, mas até aqui tudo tem sido calmo para mim. Tenho contado com ajuda do meu neto para ir ao mercado e fazer a feira e não tenho saído nem para ir ao banco”, relata.

É usando o aplicativo WhatsApp que a psicóloga aposentada Maria Cristina Boa Nova, de 71 anos, que atua como conselheira do Conselho Municipal do Idoso, em São Paulo, também tem ficado mais próxima dos filhos e acompanhado as conversas sobre o vírus nos grupos.

“É um drama isso, é difícil para ter contatos com os pais, filhos, estou há mais de 15 dias em casa e conseguimos nos ver por imagens. Tenho a facilidade com tecnologia e a gente se compensa dessa forma. Eu e todas as pessoas com quem convivo respeitam as orientações da OMS e das autoridades sanitárias”, relatou à reportagem da Jovem Pan.

Atualmente, segundo dados da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania, a cidade de São Paulo tem 1.8 milhão de idosos – 75% deles dependentes do Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com dados apresentados pelo Ministério da Saúde nesta sexta, quando o Brasil registrava 359 mortes e 9.056 casos confirmados, 85% das mortes são de pessoas acima dos 60 anos.

Atividades online

Com ações voltadas para o grupo de risco da Covid-19, o Polo Cultural da Terceira Idade, localizado no Cambuci, no Centro de São Paulo, teve de suspender suas atividades no começo do último mês. Para a coordenadora de Políticas para Pessoa Idosa, da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania, Sandra Regina Gomes, o isolamento social é a medida fundamental em tempos de pandemia.

“Se todo mundo falar a mesma linguagem a gente supera isso. Estamos fazendo todo o esforço porque essa condição do idoso é realmente muito perigosa, quase sempre há comorbidades, então o isolamento é fundamental. Uma das finalidades do grupo é saber como eles estão lidando com essa situação e preenchendo o dia deles na quarentena. Essa escuta qualificada é o que vai aquecer o coração dos nossos idosos neste momento. E temos disponibilizados as mesmas oficinais no formato online, por videoaulas e vídeo chamadas”, relata.

As ações desenvolvidas pelo Polo atendiam em média 200 idosos por mês – por meio de atividades como oficinas, aulas de ginástica, yoga, tai chi chuan entre outras. Diante da pandemia e lidando diariamente com o grupo de risco da doença, as aulas presenciais foram transferidas para o formato à distância e por meio do “WhatsApp Solidário” criado pela prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania, onde todos podem permanecem unidos – mesmo não estando próximos fisicamente.

Na semana em que a Covid-19 fez mais de um milhão de infectados e que diversos países decidiram prolongar medidas de isolamento e quarentena, Lurdes diz que quer ir à praia, “quando isso tudo passar”. “O primeiro lugar que eu quero ir quando acabar tudo isso é para minha casa em Mongaguá. Estou louca para ir à praia. A gente tem tudo e não tem nada, na verdade, então fica uma lição para nós de que nada disso é nosso e que tudo vai embora então devemos ter amor pelo outro e querer ajudar”, disse.

Jovem Pan 

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