A ativista indígena Claudette Labonté, da Guiana Francesa, durante o Congresso Mundial da Natureza.
 © Agisilaos Koulouris for the Global Alliance of Territorial Communities

A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) examina, a partir desta quarta-feira (8), as moções de seu congresso em Marselha, incluindo quase 30 consideradas urgentes, ou controversas, como a proteção de 80% da Amazônia até 2025.

A proposta foi apresentada pelos grupos indígenas, que contam, a partir do congresso deste ano, com sua representação própria. A UICN é uma instituição incomum, na qual Estados, organizações não governamentais e agora grupos indígenas discutem em pé de igualdade sobre os temas que envolvem a biodiversidade.

Esta é a primeira vez que as Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (Coica) participam como membros titulares do congresso. A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) faz parte da Coica. Os votos dos grupos indígenas na discussão final são agrupados junto com os das ONGs. As moções aprovadas viram resoluções.

Confira propostas em discussão no Congresso:

Proteção da Amazônia

A moção de urgência solicita “proteger e conservar ao menos 80% da Amazônia até 2025”, diante do perigo crescente dos incêndios e do desmatamento.

Uso da biologia sintética

Um grupo de trabalho da UICN elaborou um rascunho de Carta de Princípios sobre o uso da biologia sintética, ou seja, a combinação de “ciência, tecnologia e engenharia para facilitar e acelerar (…) o design (…), ou a modificação de materiais genéticos, organismos vivos e sistemas biológicos”.

A moção garante a capacidade dos Estados-membros de aplicarem o “princípio da precaução” para proibir qualquer atividade que possa ser prejudicial à biodiversidade.

Covid-19

Uma moção de urgência aborda o aumento do risco de uma propagação de zoonoses por causa da perda de biodiversidade. A moção pede aos membros que “desenvolvam estratégias de prevenção das pandemias” e que “reduzam as interações diretas entre humanos e espécies selvagens”.

Novo marco mundial para a natureza

Duas moções estão relacionadas com as negociações internacionais para estabelecer um novo marco mundial para a proteção da natureza.

Uma delas pede aos 1.400 membros da UICN que “colaborem para o êxito da COP15”, que aborda este marco legal. A proposta será discutida em abril de 2022 na China. A outra defende a ideia de se proteger “ao menos 30%, ou ao menos metade, do nosso planeta”. O percentual não está definido.

Mudança climática

A UICN deseja criar uma “comissão sobre a crise climática” para participar dos esforços para reduzir as emissões de gases do efeito estufa.

Proteger o fundo do mar

Uma moção defende uma “moratória sobre a mineração no fundo do mar”. Algumas empresas querem explorar as jazidas de metal no fundo do mar, o que é rejeitado por algumas ONGs.

Além dos debates sobre a Amazônia, representantes brasileiros participam de outros painéis no Congresso.

Com informações da AFP

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