Início Mundo China e Rússia são “espantalhos” econômico e militar para a União Europeia

China e Rússia são “espantalhos” econômico e militar para a União Europeia

189


Os presidentes chinês, Xi Jinping, e russo Vladimir Putin. 
REUTERS/Alexander Nemenov

Pandemia, coronavírus, Covid-19, vacina, lockdown: em qualquer comentário sobre política europeia atual é difícil escapar destas palavras. Elas podem aparecer na abertura, como aqui, no meio, ou no fim do comentário. Porém elas podem levar o comentarista e quem lê a outras paisagens. É o caso.

Continua depois da publicidade

Flávio Aguiar, de Berlim  

pandemia está provocando movimentos nas placas tectônicas da geopolítica europeia.  As placas tectônicas são aquelas submersas nos oceanos sobre as quais se assenta a superfície dos continentes.

Na Europa há dois “espantalhos” recorrentes, que podem provocar calafrios tanto em governantes quanto no cidadão ou cidadã comum: China e Rússia.

A China é um “espantalho” econômico e político, acusado de querer dominar o mundo com seus produtos baratos, sua herança comunista e seu novo poderio capitalista, que se agiganta. Já a Rússia é um “espantalho” militar, provocando temores em todo continente, em particular nos países do antigo Leste Europeu, da órbita da finada União Soviética, da Ucrânia e Bulgária aos países bálticos: Lituânia, Letônia, Estônia, passando pela Hungria, Polônia, República Tcheca e  muitos outros.

Texto por:Flávio Aguiar

Pois bem, as águas profundas destes temores geopolíticos estão se agitando, ou melhor, deixando de se agitar tanto, como normalmente fazem. Motivo: com a escassez das vacinas produzidas pelos laboratórios de países do antigo Mundo Ocidental, países europeus estão se voltando para os similares russos e chineses, como já é o caso da Sérvia e da Hungria, governada esta pelo extrema-direita Viktor Orbán, e de países balcânicos.

A própria chanceler Angela Merkel, que ainda é o principal termômetro de referência da União Europeia, declarou recentemente que as vacinas russas e chinesas seriam bem-vindas, assim que forem aprovadas pelos organismos competentes da União Europeia e  Vladimir Putin se  mostra disposto a inundar a Europa e o mundo com a vacina Sputnik V, além de outras. A China faz o mesmo, com suas três vacinas.

China, o “espantalho indispensável”

Além disto, se a China ainda é um “espantalho” econômico, em 2020 ela se tornou o principal parceiro comercial da União Europeia, desbancando os Estados Unidos: tornou-se um “espantalho indispensável”.

Quanto aos Estados Unidos, depois da queda do também “espantalho” Donald Trump, vê-se um movimento aberto de aproximação por parte da União Europeia, que convidou aquele país e o Irã a voltarem para a mesa de negociação sobre o acordo nuclear. O porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Ned Price, sinalizou que seu governo aceitaria voltar às negociações, enquanto Teerã reitera que é necessário negociar também as sanções econômicas impostas por Washington ao Irã.

O que se pode dizer de tudo isto é que a União Europeia está tentando voltar a um papel de protagonismo na geopolítica regional e mundial. Mas ainda é cedo para fazer profecias sobre os resultados destes movimentos. Eles dependem de muitos fatores.

Eis um, econômico e político: a Rússia libera os planos para construir mais um gasoduto, o Nordstream 2, unindo a região de São Petersburgo, ainda chamada (a região – oblast, em russo) de Leningrado, ao norte da Alemanha. Os Estados Unidos se opõem ao projeto, bem como  outros países da região do Báltico, que temem a influência e o peso de Moscou. A chanceler Angela Merkel está se reunindo com o presidente Biden, e deve tratar do caso.

Por falar na chanceler Angela Merkel, que apontei como o principal termômetro  da União Europeia, vai deixar o cargo a partir do segundo semestre deste ano, quando há eleições federais na Alemanha. O que vai acontecer a partir daí? Impossível dizer agora.

Noticiário Francês 

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui