Centrão: Bolsonaro admite entregar cargos, mas “de terceiro escalão”

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) admitiu nesta quinta-feira (28/05) que está negociando cargos com o chamado Centrão – bloco informal de partidos que conta com aproximadamente 200 parlamentares – em troca de apoio no Congresso Nacional. O chefe do Executivo, no entanto, alegou que vem entregando apenas cargos de “segundo e terceiro escalão”, não “ministérios, estatais ou bancos oficiais”.

O Centrão reúne parlamentares de legendas de centro e centro-direita. A aproximação de Bolsonaro do bloco é uma tentativa do Executivo para barrar a abertura de um eventual processo de impeachment, além de formar uma base estável para aprovar projetos de interesse do governo e barrar eventuais denúncias no Congresso.

“O que eu fiz de dois meses pra cá: ‘Olha, temos que ter uma agenda positiva para o Brasil. Vou começar a conversar com os partidos de centro também’. Eu conduzi as conversas nos últimos dois meses e conversei com os líderes e presidentes de partidos. Sim, alguns querem cargos. Não vou negar isso daí. Alguns, não são todos. Agora, em nenhum momento nós oferecemos ou eles pediram ministérios, estatais ou bancos oficiais”, disse o presidente durante transmissão ao vivo nas redes sociais.

Na transmissão, Bolsonaro citou o Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) para explicar as nomeações feitas pelo governo até agora. “Você pega o MDR, por exemplo, que tem uma estrutura gigantesca, que em grande parte tem uma atuação no Nordeste. E tem cargo na ponta da linha, segundo e terceiro escalão, que estava na mão de pessoas de governos anteriores ao Temer. Então, nós trocamos algum cargo neste sentido, atendemos, sim, alguns partidos neste sentido”, declarou.

“Se eu estiver bem em 2022, há interesse de alguns parlamentares desses estados em ter o seu respectivo candidato a governo, se eu poderia entrar neste acordo em alguns estados do Brasil. Há estados que, nós sabemos aqui, eu não vou ter poder para eleger uma pessoa indicada por nós lá e conversamos: ‘Olha, eu apoio, neste estado aqui, qual o perfil do seu governador? É este. Tudo bem. Se eu estiver bem, se eu vier candidato à reeleição, tudo bem’. E eles não ganham lá, eles sozinhos. Precisam do apoio de terceiro. Porque, por exemplo, tem estado do Nordeste, em especial, que o PT está forte. Você pega quase todos os estados, o PT é muito forte, e para derrotá-los você tem que somar todas as forças do outro lado. E, para mim, com todo respeito que eu tenho ao Parlamento brasileiro, eu prefiro deputados destes outros partidos do que do PT”, acrescentou.

Encontros com Centrão mais que triplicaram

Levantamento feito pelo Metrópoles mostra que Bolsonaro mais que triplicou os encontros com parlamentares do bloco e nomeou filiados em cargos de relevo do governo. A pesquisa base nos compromissos divulgados na agenda presidencial entre 1º de janeiro e 22 de maio deste ano.

Desde o início da pandemia do coronavírus, o presidente realizou 47 encontros privados ou coletivos com parlamentares do grupo no Palácio do Planalto. Em janeiro e fevereiro, antes de dar início à estratégia, o presidente encontrou-se apenas 13 vezes com esses parlamentares.

No levantamento, não foram incluídas reuniões de Bolsonaro com líderes do governo no Congresso ou com o deputado federal Osmar Terra (MDB-RS).

Entre os partidos do Centrão, estão PP, PL, Republicanos, Solidariedade e PTB. Siglas como PSD, MDB e DEM não se consideram parte do grupo, mas em negociações estratégicas costumam estar alinhadas, bem como legendas menores, como Pros, PSC, Avante e Patriota.

No primeiro bimestre, Bolsonaro priorizou encontros com o PSC, antiga sigla do seu filho Carlos Bolsonaro, vereador pelo Rio de Janeiro. Foram cinco reuniões privadas ou coletivas no período. Em seguida, aparecem o PSD (3) e Republicanos (2). De março até a última semana, o PSD foi a sigla que mais teve encontros com o presidente: foram 20 no total. Na sequência, aparecem o PP (6), PSC, MDB e DEM (5), além do PL (3).

Metrópoles 

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