Índia, agosto de 2017. A seleção inglesa trucida a Espanha com goleada de 5 a 2 na final da Copa do Mundo Sub-17. Rhian Brewster foi o responsável por abrir a contagem com um dos oito gols que o tornaram artilheiro do torneio. O atacante já tinha sido destaque nas quartas e nas semifinais, com hat-tricks consecutivos contra Estados Unidos e Brasil.

Brewster se apresenta como um dos nomes mais promissores de uma das gerações mais promissoras da Inglaterra. Três anos depois, o atacante se despede do Liverpool sem conseguir estrear pela Premier League, a caminho do modesto Sheffield United, com o consolo de ainda ser avaliado por um valor considerável.

Nesta sexta-feira, Brewster se apresentou ao Sheffield para passar pelos exames médicos de rotina antes de assinar contrato. A transferência no momento da finalização deste artigo ainda não é oficial, mas será sacramentada por 23,5 milhões de libras (R$ 171 milhões na cotação do dia).

Ao que tudo indica, os Reds mantém ainda 15% de uma venda futura e uma cláusula de recompra, um indicativo de que ainda há esperança no talento do jogador pelos lados de Anfield. Um talento que deixa o clube com apenas quatro partidas disputadas. (Atualização: A transferência foi oficializada mais tarde como “recorde” pelo Sheffield, sem mais detalhes) Algo no caminho de Brewster não correu como esperado… Lesão, concorrência e poucas oportunidades A desconfiança sobre o seu talento parece situação inédita para Brewster.

Disputado ainda na base entre Chelsea e Liverpool, o atacante escolheu Anfield como sua casa com um futuro promissor a sua frente. De Jürgen Klopp só escutou elogios e logo passou a acompanhar os profissionais em treinos e em jogos, embora ainda na expectativa para fazer sua estreia oficial. Uma cena de horror interrompeu o caminho.

Em janeiro de 2018, em uma partida contra o Manchester City pelo Sub-23, Brewster disputou bola pelo alto e acabou por cair desequilibrado sobre a perna. Não demorou para se perceber que algo havia corrido muito mal. O atacante deixou o campo de maca e precisando de oxigênio.

O resultado foram duas operações nos meses seguintes – a primeira no tornozelo e a segunda no joelho. Foram 15 meses afastados do gramado. Klopp seguiu por publicamente tecer elogios a Brewster, que fez sua estreia pelo time principal em setembro de 2019 pela Copa da Liga como titular contra o MK Dons, com vitória por 2 a 0.

Atuou depois na mesma competição contra o Arsenal, em empate por 5 a 5 e vitória nos pênaltis. Jogou ainda alguns minutos do clássico contra o Everton pela Copa da Inglaterra, vitória por 1 a 0, mas a falta de espaço o levou ao Swansea City e a Championship, segunda divisão inglesa.

O tempo no País de Gales foi relativamente positivo. O Swansea não conseguiu retornar à elite, mas Brewster pelo menos ganhou sequência e com bom desempenho. Foram 11 gols em 22 jogos. A lesão que o fez até pensar em abandonar o futebol ficou no passado. Faltava ainda se firmar no mais alto nível. Brewster foi tratado por Klopp durante o período como o “reforço da casa”.

No entanto, a participação breve na Supercopa da Inglaterra contra o Arsenal marcou seu último momento pelos Reds. A chegada de Diogo Jota, além da concorrência do trio titular de ataque formado por Mané, Firmino e Salah, deixou o atacante inglês sem muitas esperanças de utilização.

O técnico alemão aos poucos soltou indícios de que o futuro da promessa não seria mais em Anfield. Agora com 20 anos, Rhian Brewster entra em um momento decisivo de sua carreira. Companheiros de título mundial como Foden e Sancho já ganham destaque como profissionais.

O “passo atrás” de Brewster para o Sheffield pode ser justamente o que o talentoso jovem precisava para confirmar seu nome entre os melhores de sua geração na Inglaterra.

O Gol 

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