Yanna Lavigne, Bruno Gissoni e Madalena são capa da Quem (Foto: Brunno Rangel)

Yanna Lavigne, de 30 anos, e Bruno Gissoni, de 33,  encontraram um refúgio em um chalé em Itamonte, em Minas Gerais, quando os casos de coronavírus se acentuaram, obrigando a população ao isolamento social. Em meio a muita natureza e animais, os atores apresentam uma realidade totalmente diferente da que possuem no Rio de Janeiro para a filha, Madalena, de 3 anos.

“Por questões de saúde mental e física, preferimos ficar reclusos em um lugar com água pura e todas as possibilidades verdes para viver este momento. Obviamente o peso da decisão foi pensando na Madalena”, conta Yanna.

“Passei a minha infância indo todos os meses com o meu pai para o interior de Minas Gerais, que é um lugar bem rústico, cheio de natureza e animais. Um lugar com uma cultura muito típica e uma culinária inexplicável. No momento que entendemos que a pandemia não tinha tempo pré-determinado, um prazo de duração, optamos por esse ambiente para passar um período delicado. Queria que Madalena também criasse esse elo com um lugar tão especial para mim”, continua Bruno.

Os dias começam cedo no campo. Bruno desperta com as galinhas, cuida das plantas e busca ingredientes para o café da manhã que Yanna prepara com café e pão caseiro. “Aqui o tempo realmente é outro. A vida na roça se sustenta com o leite da vaca, os ovos caipiras, o mel na estação certa… Tudo é feito com o que vem da terra, no tempo do sol. E acabamos entrando nesse ritmo. Preparo o café e pão quentinhos no fogão à lenha esperando o papai voltar”, detalha ela.

Yanna Lavigne, Bruno Gissoni e Madalena (Foto: Brunno Rangel)
Yanna Lavigne, Bruno Gissoni e Madalena (Foto: Brunno Rangel)

Sem sinal de telefone e com energia solar limitada, eles fazem um detox de tecnologia. “Temos tudo que precisamos, porém não temos sinal de telefone aqui. O Wi-Fi via satélite é instável e não suficiente para a vida 100% conectada. A energia solar é limitada, aprendemos a lidar com o tempo na constância que sol tem para oferecer. Foi muito importante e libertador. É realmente um detox físico e mental, já que no mundo atual, o celular se tornou uma ferramenta ‘indispensável’ no dia a dia. Quando você se vê impossibilitado de utilizá-lo, consegue se readaptar à vida como era antes da era digital, o que é libertador”, explica Yanna.

Isso permitiu com que Yanna e Bruno focassem ainda mais no olho no olho, nas atividades presenciais e na filha. “A pandemia nos deu mais tempo. Procuramos otimizá-lo e ao mesmo tempo apreciá-lo. A internet é um vício silencioso, quando você percebe passaram horas vendo ‘nada’. Além disso, para buscar sinal 3G precisamos subir a montanha, literalmente, apesar da vista ser de tirar o fôlego. Ressignificamos o uso e o tempo destinado a ele em nossas vidas. A ausência do celular me possibilitou direcionar a minha atenção para a minha filha e para a vida da mata em frente a nossa casa, que na minha opinião é muito mais interessante e enriquecedora”, destaca Bruno.

“A ausência do celular me possibilitou direcionar a minha atenção para a minha filha” Bruno

O resultado disso foi uma nítida evolução de Madalena, que está mais independente e falante. “O tempo entre sites e cliques abriu espaço para regar plantas e alimentar os animais. Para Madalena, essa rotina é uma delícia e muito rica para o aprendizado e simplicidade que acreditamos. A liberdade que o lugar proporciona faz da Madalena cada vez mais destemida e independente. Ela evoluiu muito e entrou na fase de conversar e falar muitas pérolas (risos)”, conta Yanna.

“Foi importante para o desenvolvimento dela pisar descalça no chão, beber água do rio, dar milho para galinhas e patos. São valores fundamentais para mostrar em ações que estamos todos interligados”, reforça Bruno.

Yanna Lavigne, Bruno Gissoni e Madalena (Foto: Brunno Rangel)
Yanna Lavigne, Bruno Gissoni e Madalena (Foto: Brunno Rangel)

Yanna Lavigne, Bruno Gissoni e Madalena (Foto: Brunno Rangel)
Yanna Lavigne, Bruno Gissoni e Madalena (Foto: Brunno Rangel)

A simplicidade e o contato com outros universos têm sido uma busca constante do casal, que no ano passado percorreu recônditos do Brasil em um kombi para o projeto Antes que O Mundo Acabe. Os três passaram até em uma aldeia indígena durante a aventura, que eles pretendem retomar assim que a pandemia estiver mais controlada.

“Estamos loucos para retomar. Tínhamos planejado data para julho. A kombi rodaria o sul de Minas. Somos sagitarianos, viajar está no nosso sangue. Viajar de kombi nos aproxima mais ainda das experiências, vemos tudo mais de perto, de maneira mais humanizada. Ainda não sabemos por conta da pandemia como será o retorno, mas sabemos qual será o objetivo. Eu quero me aprofundar nas questões mentais e elementais. Destrinchar a evolução do meu corpo e mente através do yoga e da meditação, cura através das descobertas de ervas medicinais, alimentação saudável e sem carne”, planeja Yanna.

“Descobrimos já na primeira viagem o tipo de turismo que queremos explorar, o turismo humano. Desconstruir o distanciamento entre as culturas e vivenciar mais profundamente as viagens. O projeto nunca fez tanto sentido como agora. O turismo nessa fase pós-pandemia ganha outro significado e queremos redescobrir as cidades do mundo enquanto a história atual está sendo escrita. Novos restaurantes surgirão com novos modelos de negócio. O cooperativismo aliado à sustentabilidade parece ser uma boa solução e a pergunta é: o que pode surgir disso?”, avalia Bruno.

Yanna Lavigne, Bruno Gissoni e Madalena (Foto: Brunno Rangel)
Yanna Lavigne, Bruno Gissoni e Madalena (Foto: Brunno Rangel)

Yanna Lavigne, Bruno Gissoni e Madalena (Foto: Brunno Rangel)
Yanna Lavigne, Bruno Gissoni e Madalena (Foto: Brunno Rangel)

Como fizeram para manter a sanidade mental neste isolamento social?
Yanna: A fuga foi vir pra cá e entender o privilégio de poder fazer essa escolha. A confusão da sanidade nesse isolamento talvez seja sua administração desequilibrada entre tempo, escolhas, necessidades, impacto como ser humano, vulnerabilidade. A vida em modo automático nos obriga a naturalizar e conviver com a correria, desfoco… Reaprender a respirar e desenvolver a meditação são grandes válvulas para mim.
Bruno: É o momento de olhar mais pra dentro do que pra fora, a mudança é interior. Aqui, temos a grande oportunidade de fazer isso enquanto criamos um elo entre nossa filha e a natureza.

“Madalena é livre para ser criança. De forma lúdica, conseguimos passar para ela as mudanças que estamos vivendo” Yanna

Madalena Gissoni (Foto: Brunno Rangel)
Madalena Gissoni (Foto: Brunno Rangel)

A Madalena percebeu esse momento de caos ou conseguiram não passar essa ansiedade e incerteza do momento atual?
Bruno:
 Temos pouco contato com a cidade, diminuindo os riscos. Ela compreendeu bem o isolamento, pois não questiona tanto, não estranha as máscaras.
Yanna: Madalena é livre para ser criança. De forma lúdica, conseguimos passar para ela, aos poucos, as mudanças que estamos vivendo. Às vezes, ela pergunta sobre a escola. Digo que os amiguinhos estão se protegendo de um vírus perigoso e ela fala que vai esperar.

Vocês dois, como pessoas públicas, parecem estar muito diferentes das que eram antes do nascimento da Madalena. Vejo um engajamento político e com causas sociais mais forte. A Madalena realmente mexeu com vocês neste sentido de usar a própria voz pra essas causas?
Yanna: 
Com certeza! Com um filho no mundo ressignificamos tudo e nos tornamos mais questionadores de nós mesmos. Antes da Madalena, pensávamos muito mais no presente, no trabalho. Após o nascimento, o primeiro pensamento é para ela e para o mundo que queremos deixar. Entendendo que as ações de hoje determinam um rumo para amanhã.
Bruno: Se podemos usar nossas vozes para conscientizar o maior número de pessoas, por que não? Se você tem um alcance mínimo que seja é importante se posicionar diante das atrocidades que estão acontecendo. O mais grave de tudo são pessoas inconscientes, coniventes com o roubo de uma geração inteira por ganância e ignorância.

Yanna Lavigne, Bruno Gissoni e Madalena (Foto: Brunno Rangel)
Yanna Lavigne, Bruno Gissoni e Madalena (Foto: Brunno Rangel)

Por falar nisso o que ser pais de uma menina modificou na ideia que vocês tinham sobre feminismo?
Yanna:
 Temos a tendência de nos distanciarmos dos problemas e deixá-los para depois. O feminismo é uma causa urgente. Se queremos um mundo mais justo e igualitário para nossa filha, ele passa obrigatoriamente pela luta e resistência de causas como o feminismo.
Bruno: Eu demorei anos para entender minimamente o feminismo e a minha curiosidade pela causa nasceu da minha relação com a arte e posteriormente ganhou força com o nascimento da minha filha. Somos criados em uma sociedade patriarcal, machista, conservadora, racista, preconceituosa, além de muito desigual. A sociedade, talvez pelo medo da mudança, escolheu fortalecer esses posicionamentos nas últimas eleições. Cabe a nós, que desejamos um país mais justo, nos posicionarmos com firmeza.

“Feminismo é uma causa urgente. Se queremos um mundo mais justo e igualitário para nossa filha, ele passa por essa luta”

Yanna

Qual é o maior desafio em criar um filho nessa cultura de cancelamento, em que os pais, principalmente os famosos, não podem cometer erros?
Bruno: 
Não pensamos muito sobre o cancelamento. Vamos errar sim, naturalmente. Aliás vemos o erro como um passo importante da evolução, O melhor caminho é criá-la com transparência.
Yanna: Entender a influência sobre as pessoas é cuidadoso. As cobranças de posicionamento estão mudando, com elas vem o cancelamento midiático e cruel, mas também necessário para as pessoas que influenciam entenderem e se colocarem com maior responsabilidade diante das pessoas que consomem suas informações.

Yanna Lavigne e Madalena (Foto: Brunno Rangel)
Yanna Lavigne e Madalena (Foto: Brunno Rangel)

Bruno Gissoni e Madalena (Foto: Brunno Rangel)
Bruno Gissoni e Madalena (Foto: Brunno Rangel)

Bruno, você tem uma família grande. Qual importância da participação de seus irmãos na criação da Mada?
Bruno:
 Família grande, espantosamente unida (risos), mas com suas diferenças de praxe. Cada tio é um universo. Felipe (Simas), por exemplo, traz consigo o pacote da família que amamos com os primos que Mada não desgruda. No total são três tios e três tias, muita referência boa para Madalena que tem relação única e especial com cada um deles.

A Mada tem uma criação bem lúdica e musical. Sendo filha de artistas, vocês estimulam esse lado artístico dela? Já notam interesse?
Bruno: 
Nós estimulamos o contato dela com a arte, literatura, música, mas não pensamos em induzi-la a nada, queremos dar o máximo de ferramentas para ela traçar o próprio caminho.
Yanna: A arte, literatura e musicalidade são essenciais para o desenvolvimento de qualquer criança. Introduzimos todas essas vertentes com o cuidado dela entender que é livre pra ser quem ela quer ser.

Como vocês eram como casal antes da Mada e como são depois dela?
Bruno
: Estamos em constante transformação o tempo inteiro. Obviamente que a pandemia nos aproximou fisicamente, nos deu o presente do tempo. A nossa rotina sempre foi muito corrida e agora passamos os últimos meses completamente juntos. O chalé é relativamente pequeno, o que é maravilhoso, temos a presença um do outro permanentemente.
Yanna: Desafiador e uma descoberta diária deliciosa. O que mudou foi a sintonia e objetivo em comum da escolha de seguirmos juntos, onde a felicidade é obrigatória nessa jornada.

“A pandemia nos aproximou fisicamente, nos deu o presente do tempo” Bruno

Yanna Lavigne e Bruno Gissoni (Foto: Brunno Rangel)
Yanna Lavigne e Bruno Gissoni (Foto: Brunno Rangel)

O que vocês aprenderam de mais importante da experiência de rodar o Brasil e conhecer diferentes pessoas e costume?
Bruno: 
Entender a amplitude que tem o Brasil. Um país continental, miscigenado, multicultural. Viajar pelo Brasil de kombi nos fez viver e nos alimentar dessa multiplicidade. O que mais me marcou foi ver a história do Brasil com os próprios olhos. Vi a dificuldade enfrentada pelos povos originários. Fomos até o ponto de início do projeto Brasil, onde começou a invasão dos portugueses que resultou em um dos maiores genocídios da história… O lugar, que fica da região da Barra do Cahy, é deslumbrante e me fez repensar o Brasil.
Yanna: Viver nas grandes metrópoles nos distancia muito da realidade do povo brasileiro.
Na nossa última viagem tivemos experiências incríveis e inclusivas, como conhecer e desbravar uma região mística e consciente em Penha do Caparaó até a história latente e militante encontrada em Olinda.

Como atores vocês também tiveram que adiar projetos? O que pretendem retornar assim que a Covid-19 for controlada?
Bruno:
 Sou uma pessoa bastante ansiosa. Essa pausa na vida me trouxe muitos ensinamentos. Estamos focando no desenvolvimento do projeto com data prevista agora em setembro. Teremos conosco uma equipe muito especial e reduzida de pessoas que compartilha das nossas ideias, nos ensina e agrega no dia a dia. Vamos abrir nosso Instagram para temas muito importantes e atuais. Antes que o Mundo Acabe tem como objetivo a pluralidade de ideias que visam um mundo melhor.
Yanna: Aprendi a viver mais no presente e acreditar mais nas intuições. Todo mundo adiou ou ressignificou a importância de certos projetos em sua vida. Com a gente não foi diferente… E positivo! Por hora estamos contentes com o projeto Antes que o Mundo Acabe e convidamos a todos para conhecê-lo.

Yanna Lavigne, Bruno Gissoni e Madalena (Foto: Brunno Rangel)
Yanna Lavigne, Bruno Gissoni e Madalena (Foto: Brunno Rangel)

O que vocês sonham mais em fazer antes que o mundo acabe?
Yanna: 
Queremos transformar o canal @antesqueomundoacabe_ em uma ferramenta de informação com conteúdos voltados a sustentabilidade, cultura e viagens, interiorizar o Brasil e desbravar o artesanal. Dentre os conteúdos que queremos gerar está o reflorestamento da Serra da Mantiqueira, que seria, automaticamente, um legado para nossa filha.
Bruno: A vida nos deu uma grande responsabilidade. Temos uma ferramenta de comunicação potente, o que fazer com ela é a questão. Por isso, decidimos remodelar o Instagram do Antes que o Mundo Acabe e utilizá-lo de uma forma mais informativa. Se conseguirmos conscientizar uma pessoa que seja sobre as causas que citamos nessa entrevista, o impacto já é positivo.

Lembro que vocês me disseram um ano atrás que pensavam em ter mais um filho. Muitos casais têm adiantado esse momento pra aproveitar esse tempo em casa. Cogitaram isso? Os planos de aumentar a família continuam?
Yanna: 
Queremos, mas não planejamos. O próximo virá na hora certa e de surpresa (risos).
Bruno: A surpresa é um dos grandes charmes da vida. Imagina receber a notícia de uma nova vida na nossa história? Bom, se eu puder escolher, prefiro que seja surpresa.

Yanna Lavigne, Bruno Gissoni e Madalena (Foto: Brunno Rangel)
Yanna Lavigne, Bruno Gissoni e Madalena (Foto: Brunno Rangel)

Yanna Lavigne, Bruno Gissoni e Madalena (Foto: Brunno Rangel)
Yanna Lavigne, Bruno Gissoni e Madalena (Foto: Brunno Rangel)

Yanna Lavigne, Bruno Gissoni e Madalena (Foto: Brunno Rangel)
Yanna Lavigne, Bruno Gissoni e Madalena (Foto: Brunno Rangel)

Quem 

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui