Brasileiros que moram em Lisboa resolveram potencializar forças e esforços para ajudar os mais vulneráveis
 © Luciana Quaresma

Em meio à pandemia da Covid-19 e em pleno estado de emergência decretado pelo governo português, três brasileiros que moram em Lisboa resolveram unir os esforços para ajudar os mais vulneráveis: assim nasceu o “Potenciaar”. Idealizador e fundador do projeto solidário, o paulista Moisés Pozzi não deixou que o confinamento imposto e o medo da doença travassem a vontade de ajudar aqueles que mais precisam e começou a distribuir alimentos e máscaras aos sem-teto da capital portuguesa.

Correspondente da RFI em Lisboa

“É uma ferramenta de auxílio, um braço, uma mão, um sorriso pra ajudar quem precisa, essencialmente quem anda pelas ruas de Lisboa, nos cantinhos onde poucas pessoas chegam, poucas pessoas olham”, afirma.

Com apenas um mês de vida, o projeto tem uma dinâmica simples: “As pessoas entram em contato com a gente, mandam a quantia em uma conta ou colaboram com alimentos para compor o kit que a gente faz”, explica. “Nas duas ações que fizemos até agora, entregamos frutas, sanduíches, bolachas, sucos e máscaras”, reitera.

Mesmo com restrições de circulação mais rigorosas impostas pelo governo durante a semana da Páscoa, os voluntários encontraram apoio da polícia, que garantiu a distribuição dos kits criados pelo grupo de brasileiros. “Fui até a polícia e pedi autorização. Não tivemos problemas. Foram bem receptivos e nos deram todo o suporte necessário para a entrega dos kits”, conta."Potenciar" virou uma ferramenta de auxílio, um braço, uma mão, um sorriso pra ajudar quem precisa, essencialmente quem anda pelas ruas de Lisboa, nos cantinhos onde poucas pessoas chegam, poucas pessoas olham."Potenciar" virou uma ferramenta de auxílio, um braço, uma mão, um sorriso pra ajudar quem precisa,Mesmo com as restrições de circulação mais rigorosas impostas pelo Governo durante a semana da Páscoa, os voluntários encontraram apoio da Polícia de Segurança que garantiu a distribuição dos kits.

“Potenciar” virou uma ferramenta de auxílio, um braço, uma mão, um sorriso pra ajudar quem precisa, essencialmente quem anda pelas ruas de Lisboa, nos cantinhos onde poucas pessoas chegam, poucas pessoas olham. © © Luciana Quaresma

Produção de máscaras para os moradores de rua

A co-fundadora do projeto, a empresária carioca Anna Arany, apesar de nunca ter costurado, colocou a mão na massa: comprou uma máquina e começou a produzir máscaras em casa que são entregues com o kit distribuído pelos voluntários.

“Eu nunca tinha costurado antes na vida. É uma tarefa que requer muito tempo e paciência. Com um filho pequeno, fica um pouco complicado. Mas eu queria fazer máscaras para a acão do Potenciaar e para doar aos lares de idosos”, diz a empresária.

Anna reconhece que não foi fácil, mas com boa vontade conseguiu vencer o desafio. “Diz o ditado que a prática leva à perfeição. Fiquei bastante tempo me dedicando à isso, vi um tutorial no YouTube e consegui fazer 60 máscaras sozinha.”

A empresária lança um apelo para quem quiser se mobilizar em prol do Potenciaar: “Podem contribuir com material, tecido, arame, elástico. Quem não sabe costurar e quiser aprender, posso ensinar. Ajudar os mais vulneráveis neste momento com as próprias mãos, não tem preço: é muito gratificante!”.

545 kits entregues em um mês

O Potenciaar conseguiu distribuir 545 kits em duas ações pelas ruas de Lisboa. O sucesso da iniciativa é motivo de felicidade e orgulho para o ator carioca Armando Amaral, também co-fundador do projeto.

“A reação das pessoas que recebem o kit é realmente a parte mais emocionante disso tudo pra mim. O morador de rua enfrenta muitas dificuldades pra conseguir sobreviver, é o frio, é a fome… Mas o que mais pega pra quem está nesta situação é a solidão. A vida na rua é cada um por si. Olhar pro lado e não ver ninguém é difícil, dói”, observa.

O ator conta que também aproveita a oportunidade para conversar com as pessoas sem-teto que ajuda. “Muitos têm a necessidade de trocar uma ideia e sobretudo de agradecer. Me impressiona como o morador de rua é educado, solícito. Muitas vezes eles estão deitados e levantam para mostrar onde estão os amigos, onde estão outras pessoas… é uma lição. Eu não consigo descrever com exatidão, mas posso garantir que é transformador”, comenta o ator.

Como participar

Para quem tiver o interesse em conhecer ou participar do projeto solidário, todas as explicações estão disponíveis na conta do grupo no Instagram. “Entre em contato com a gente, você pode ser um voluntário, ir participar de uma noite de entrega ou fazer kits em casa”, convoca Moisés.

Sputnik

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