Com o aumento no preço dos combustíveis e dos alimentos, economistas de várias instituições financeiras elevaram pela décima semana seguida a previsão de inflação para 2021.

A expectativa do mercado para este ano passou de 3,98% para 4,60%. As análises do mercado estão no relatório Focus, divulgado pelo Banco Central na última segunda-feira (15).

Ao comentar se o Brasil corre o risco de a inflação ultrapassar a meta definida pelo Banco Central em 2021, o economista e professor de Economia e Finanças da FAAP, Johnny Mendes, disse à Sputnik Brasil que as análises parecem estar corretas e o país deve ultrapassar a meta, mas destacou que a inflação deve ficar dentro da margem esperada.

“O Conselho Monetário Nacional estipula uma meta de inflação para cada ano. No ano passado, era 4% a meta da inflação, este ano 3,75%, do ano de 2022 é de 3,5% e do ano de 2023 a meta será de 3,25%. A inflação é esperada, ou explicada, dentro de um contexto macroeconômico de estar entre 2,25% e 5,25%”, explicou.

De acordo com ele, portanto, a inflação pode ficar próxima da meta, mas a margem para mais ou para menos não pode ultrapassar 1,5%.

Em relação aos possíveis impactos do aumento da inflação para a população e para a recuperação da economia, o especialista afirmou que a principal consequência será a redução do consumo.

“O valor 3,37%, que é a meta, pode acontecer próximo disso, mas não menos que 2,25% e não mais que 5,25% […] Iremos superar esses 3,75%, mas eu confio muito que estaremos dentro da meta daquilo que é plausível de ocorrer, ou seja, em torno desse número entre 3,75% e 5,25%”, observou.

De acordo com o economista, atualmente há uma pressão muito grande para o aumento de preços no mercado e, com o aumento do preço do petróleo este ano, “todos os 40 produtos da cesta básica foram atingidos”.​

“O preço da carne tem aumentado, o preço do frango também vai aumentar, então não adianta você correr para o frango, porque a pressão do petróleo foi para todos os 40 produtos da cesta. Então o que vai acontecer? As pessoas vão consumir menos, porque o dinheiro está mais escasso”, disse.

O especialista destacou que o principal fator para o aumento da inflação continua sendo a COVID-19 e continua sendo o número de pessoas vacinadas. “Quando isso melhorar, talvez as novas previsões, que são feitas semanalmente pelo relatório Focus do Banco Central, talvez amenize, talvez permaneça sem aumento nas próximas semanas, mas, por enquanto, nas próximas dez semanas, só tende a aumentar”, completou.

Sputnik 

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