Bolsonaro bate 40% de aprovação, seu recorde, em taxa puxada por quem ganha até um salário mínimo

O presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia de posse do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, no Palácio do Planalto.

O presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia de posse do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, no Palácio do Planalto, no dia 16 de setembro.MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL

auxílio emergencial de 600 reais para minimizar os efeitos econômicos da pandemia de coronavírus já caiu pela metade, mas seus efeitos na popularidade do presidente Jair Bolsonaro permanecem. Nem o aumento na rigidez dos critérios para conceder a ajuda aos brasileiros mais pobres foi capaz de impedir a aprovação de Bolsonaro subir de 19%, em dezembro de 2019, para 35% entre os eleitores com renda familiar de até um salário mínimo, de acordo com a última pesquisa CNI/Ibope. É essa parcela da população que impulsionou a avaliação de ótimo ou bom do presidente para 40%, sua melhor avaliação até agora ―em dezembro do ano passado, a taxa era de 29%, e apresentava tendência de queda.

Também foi identificado um aumento expressivo no apoio ao Governo Bolsonaro entre os entrevistados com menor grau de instrução ―entre os eleitores com até a oitava série do ensino fundamental, a avaliação de ótimo ou bom foi de 25% para 44%, enquanto entre os entrevistados com até a quarta série cursada a aprovação subiu de 26% para 40%. Já os eleitores de maior instrução não mudaram de forma considerável sua avaliação sobre Bolsonaro ―o Ibope destaca apenas que a confiança no presidente entre quem tem ensino superior caiu de 45% para 37%.

CNI/IBOPE

Além da melhora na avaliação do Governo, a pesquisa, que ouviu 2.000 pessoas entre 17 e 20 de setembro em 127 municípios, indica que 50% dos entrevistados aprovam a maneira de Bolsonaro de governar (em dezembro do ano passado, eram 41%), e que 46% confiam nele (na última pesquisa, eram 41%). A melhora na avaliação do Governo, já medida em outras pesquisas, chega em um momento em que o presidente ajusta sua gestão a seus novos aliados no Congresso Nacional e depois de desgastes causados pela prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor de seu filho Flávio suspeito de administrar um esquema de rachadinha na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), as queimadas no Pantanal e a aparente indiferença do presidente com a pandemia de coronavírus.

De acordo com a pesquisa CNI/Ibope, apenas 10% dos entrevistados citaram as notícias sobre incêndios na Amazônia e no Pantanal quando questionados sobre o noticiário em relação ao Governo. Já 20% mencionaram reportagens relativas ao auxílio emergencial ou às discussões sobre o Bolsa Família. O interesse e a atenção da população com esse tema ficam evidentes na evolução da avaliação sobre as ações do Governo no combate à fome e à pobreza. Em dezembro de 2019, 40% dos entrevistados diziam aprovar a gestão Bolsonaro nesse aspecto. Agora, são 48%. A aprovação sobre essa questão perde apenas para a área de segurança pública, aprovada por 51% ―segurança é também a única área em que o percentual de aprovação supera o de reprovação.

A aprovação sobre a atuação do Governo na saúde também subiu, de 36% para 43%, ao contrário da avaliação sobre o trato com o meio ambiente, que foi de 40% de aprovação para 37% ―uma oscilação dentro da margem de erro. “Os percentuais de aprovação e desaprovação da área de Combate ao desemprego oscilam para pior, de 41% para 37%, no limite da margem de erro. Como resultado, a área cai da terceira para a sétima posição no ranking”, aponta a pesquisa.

Regiões

A pesquisa CNI/Ibope indica ainda que a popularidade de Bolsonaro cresceu mais entre os residentes nas regiões Nordeste e Sul. Ainda assim, o Nordeste segue como a região com menor apoio ao Governo: 33% avaliam a gestão Bolsonaro como ótima ou boa, 40% confiam no presidente e 45% aprovam sua maneira de governar.

O instituto também questionou os entrevistados sobre sua percepção em relação ao noticiário sobre o Governo. Dos questionados, 43% disseram que as notícias recentes sobre a gestão de Bolsonaro são desfavoráveis ao Governo ―esse percentual oscila dentro da margem de erro desde junho de 2019. Para 20% dos entrevistados, contudo, as notícias recentes são favoráveis ao Governo; os outros 25% consideram que elas não são favoráveis ou desfavoráveis.

El País 

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