Ata do Copom diz que é preciso ter cautela em novo corte da Selic


Sede do Banco Central, em BrasíliaSérgio Lima/Poder 360 – 3.mar.2017

Em ata, o Copom (Comitê de Política Monetária) disse que é preciso ter cautela em relação a possível continuidade no ciclo de cortes da Selic. Eis a íntegra (365 Kb).

O colegiado derrubou a taxa básica, a Selic, para 2% ao ano na última 4ª feira (5.ago.2020). E sinalizou o fim do ciclo de cortes, segundo análises de economistas. No comunicado (50 Kb), disse que, se houver a necessidade de corte, o espaço remanescente será pequeno.

De acordo com o Banco Central, a pandemia da covid-19 continua provocando a maior retração da economia global desde a Grande Depressão, de 1929. Há, porém, sinais promissores para a retomada de atividades nos principais países desenvolvidos e de menor volatilidade dos ativos financeiros.

Para o Brasil e outras economias emergentes, o cenário continua “desafiador”. Indicadores nacionais “sugerem uma recuperação parcial”, mas o ritmo de crescimento está com ritmo incerto, “sobretudo para o período a partir do final deste ano”.

A Selic é uma ferramenta para controlar a meta do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação oficial do país. É dever do BC (Banco Central) perseguir a meta, que, em 2020, vai de 2,5% para 5,5%.

As projeções dos analistas entrevistados para o Boletim Focus indicam que o percentual será de 1,63% ao final do ano, mais de 0,90 ponto percentual abaixo do piso da meta. A folga permite redução dos juros para estimular a economia.

Mas, para a decisão de política monetária, o Copom também observa cenários de médio prazo, como de 2021 e 2022. Para a autoridade monetária, há riscos de descontinuidade das reformas e elevação de gastos públicos que podem colocar em xeque as medidas de ajuste fiscal. A consequência seria o aumento do endividamento público e da inflação.

“Políticas fiscais de resposta à pandemia que piorem a trajetória fiscal do país de forma prolongada, ou frustrações em relação à continuidade das reformas, podem elevar os prêmios de risco”, disse o colegiado na ata. “Adicionalmente, os diversos programas de estímulo creditício e de recomposição de renda, implementados no combate à pandemia, podem fazer com que a redução da demanda agregada seja menor do que a estimada […] Esse conjunto de fatores implica, potencialmente, uma trajetória para a inflação acima do projetado no horizonte relevante para a política monetária”.

LIMITE PARA A TAXA DE JUROS

O comitê também discutiu sobre a efetividade da taxa básica Selic em nível tão baixo quanto o atual.  Como o Brasil é 1 país em emergente e de economia mais frágil que os desenvolvidos, os juros baixos desestimula a aplicação de recursos no país.

Para estimular o investimento no Brasil, seria necessário premiar em relação ao risco de alocação de dinheiro no país. O limite para a diminuição é para uma “natureza prudencial e de estabilidade financeira”, segundo a ata.

“Esse limite seria significativamente maior em economias emergentes do que em países desenvolvidos devido à presença de um prêmio de risco. Foi ressaltado que esse prêmio é dinâmico e tende a ser maior no Brasil, dadas a sua relativa fragilidade fiscal e as incertezas quanto à sua trajetória fiscal prospectiva. Nesse contexto, já estaríamos próximos do nível a partir do qual reduções adicionais na taxa de juros poderiam ser acompanhadas de instabilidade nos preços de ativos”, afirmou a ata.

“Novas reduções na taxa de juros exigiriam cautela e gradualismo adicionais. Para tal, se necessárias, novas reduções de juros demandariam maior clareza sobre a atividade e inflação prospectivas e poderiam ser temporalmente espaçadas”, disse.

SETOR DE SERVIÇOS, O QUE MAIS SOFRE COM A CRISE

O colegiado disse que, apesar de sinais promissores, a retomada da economia é incompleta. Há recuperação no consumo de bens e mercadorias, mas o ritmo não é acompanhado no setor de serviços dada as medidas de isolamento social. O setor responde por 60% do PIB (Produto Interno Bruto).

Dada a incerteza, o comitê avalia que a pandemia deve continuar a ter efeitos heterogêneos sobre as diferentes atividades. Serviços devem continuar a apresentar maior ociosidade que os demais.

“O Comitê ponderou que a principal restrição a uma recuperação plena nas principais economias é a própria evolução da pandemia, sendo a possibilidade de uma 2ª onda o principal risco nas economias centrais”, ponderou o Copom.

Poder360

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