Associação de procuradores reage a ‘agressão’ de Aras a conselheiros

Em mais um desdobramento do ‘racha’ que atinge o Ministério Público Federal (MPF), a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) veio a público manifestar solidariedade aos integrantes do Conselho Superior da instituição, que se envolveram em uma discussão acalorada com o procurador-geral da República, Augusto Aras, na tarde desta sexta, 31.

Durante sessão virtual para votar o orçamento de 2021, os conselheiros decidiram marcar oposição às críticas públicas feitas pelo PGR ao funcionamento da entidade e ao trabalho da Operação Lava Jato através da leitura de uma carta aberta contra Aras. Em resposta, o chefe da instituição elevou o tom e acusou colegas de ‘oposição sistemática’ a ele e de plantar notícias falsas contra sua gestão e sua família, de forma anônima e ‘covarde’.

“Os conselheiros superiores do MPF constituem o mais alto colegiado, eleitos por seus pares como representantes de toda a classe. A agressão a qualquer deles é, assim, uma agressão a todas as procuradoras e procuradores da República e à própria instituição”, escreveu a ANPR na nota divulgada na noite de hoje.

Bate-boca

A sessão foi marcada por um bate-boca logo na abertura, quando o subprocurador Nicolao Dino acusou Aras de cercear a palavra dos membros do órgão colegiado depois de ter o pronunciamento inicial interrompido antes de conseguir concluir fala crítica ao chefe do MPF.

As manifestações alheias ao tema original da sessão – o plano orçamentário – ficaram para o final da votação. Tão logo acabaram os pareceres, Dino retomou a palavra e fez a leitura da carta aberta, subscrita pelos colegas subprocuradores Nivio Freitas, José Adonis e Luiza Frischeisen, na qual rebateu falas de Aras sobre ‘desvios’ na instituição.

“A fala de Vossa Excelência não constrói e em nada contribui para o que denominou de “correção de rumo”. Por isso, não se pode deixar de lamentar o resultado negativo para a instituição como um todo, expressando a nossa perplexidade principalmente por se tratar de graves afirmações articuladas pelo chefe da instituição que a representa perante a sociedade e os demais órgãos de Estado”, diz um trecho do manifesto lido na sessão.

Em resposta, Augusto Aras afirmou que os colegas se uniram contra sua gestão e criticou diretamente Dino, a quem se referiu como ‘porta-voz da oposição’.

Notícias ao Minuto 

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