Associação da PB é autorizada a estudar efeitos do canabidiol contra estresse em profissionais que combatem a Covid-19

Abrace, que fica em João Pessoa, é a única entidade autorizada a cultivar maconha com fins medicinais no Brasil — Foto: Divulgação

A Associação Brasileira de Apoio Cannabis Esperança (Abrace), única entidade autorizada a cultivar maconha com fim medicinal no país, localizada em João Pessoa, foi autorizada a começar uma pesquisa, a nível nacional, que vai avaliar os efeitos do óleo integral de cannabis no tratamento de transtornos de humor, com foco na ansiedade e estresse. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos (CEPSH) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e vai recrutar cerca de 300 voluntários, entre médicos e enfermeiros, que atuam na linha de frente do combate à Covid-19.

De acordo com o farmacêutico da Abrace e coordenador da pesquisa, Murilo Chaves Gouvêia, a etapa inicial da pesquisa foi aberta e os médicos que têm interesse em participar da pesquisa devem se inscrever por meio de um link disponível no site da associação.

“A ideia para a pesquisa surgiu da vontade de amparar estes profissionais, que lidam diariamente com uma carga de estresse e ansiedade por estarem justamente na linha de frente, atuando diretamente com os infectados pelo novo coronavírus”, explica Murilo.

Planta de 'Cannabis sativa', da qual é possível extrair o canabidiol — Foto: Kimzy Nanney/Unsplash

Planta de ‘Cannabis sativa’, da qual é possível extrair o canabidiol — Foto: Kimzy Nanney/Unsplash

O farmacêutico diz que já existem estudos que mostram que a cannabis têm efeitos ansiolíticos e o objetivo da pesquisa é saber qual o impacto do uso do óleo integral de cannabis na saúde mental destes profissionais.

“Na fase de estudo preliminar para a pesquisa, constatamos que alguns médicos já estavam tomando remédios ansiolíticos, alguns com efeitos adversos que poderiam prejudicar a concentração e tomada de decisão dos profissionais. A cannabis age de forma diferente e, com o aumento da concentração, nós queremos saber qual o impacto disso”, diz o farmacêutico.

A pesquisa vai seguir protocolos rigorosos para a investigação, segundo Murilo. Parte dos voluntários vai receber o medicamento feito com o óleo integral da cannabis e parte vai receber um remédio placebo. Nem os médicos que vão acompanhar os voluntários, nem os próprios voluntários, vão saber quem recebeu qual substância.

“A gente tem um estatístico dentro da nossa equipe, de sete pesquisadores, e ele nos ajudou a decidir alguns parâmetros para que esta pesquisa tenha impacto a nível internacional. Apenas ele, ao final da coleta dos dados, sabe quem recebeu qual produto, de forma que a confiabilidade nos dados é maior”, explica Murilo.

Abrace Esperança cultiva maconha para fins medicinais em estufas, em João Pessoa — Foto: André Resende/G1

Abrace Esperança cultiva maconha para fins medicinais em estufas, em João Pessoa — Foto: André Resende/G1

A parte inicial da pesquisa, com as inscrições dos voluntários, vai até o final de julho. Em agosto, os pesquisadores vão selecionar os 300 médicos e enfermeiros que vão participar do estudo. “A seleção vai ser feita de forma a abranger todos os estados e perfis de profissionais, visando uma melhor distribuição e resultados que possam condizer com a realidade do Brasil como um todo”, conta o coordenador do estudo.

A partir de agosto, os voluntários vão passar a receber os frascos com a cannabis integral ou o placebo. O acompanhamento dos voluntários vai ser feito até dezembro, com coleta final de dados em janeiro de 2021.

“Como a cannabis tem um efeito rápido, pode ser que tenhamos resultados preliminares antes do fim do cronograma da pesquisa, mas são dados incompletos. O artigo final com a conclusão da pesquisa deve ser publicado até março de 2021”, completa o pesquisador.

Conforme o formulário de inscrição da Abrace, os voluntários devem preencher informações técnicas, sanitárias e estatísticas, além de histórico de saúde, perfil sociodemográfico, grau de envolvimento no combate à pandemia, entre outros aspectos. Grávidas, lactantes e pessoas com condições psiquiátricas pré-existentes não podem se inscrever.

G1PB

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