Donald Trump pede reconciliação e promete uma transição suave nos EUA
 VIA REUTERS – Donald J. Trump via Twitte

Depois de ter sua conta bloqueada no Twitter, seu principal meio de comunicação, Donald Trump voltou à rede social na noite de quinta (7). Em um vídeo, o presidente americano garantiu que seu foco agora seria garantir uma transição de poder “tranquila, ordenada e sem problemas”.

Ligia Hougland, correspondente da RFI em Washington

A mudança de tom do presidente americano desde a invasão do Congresso por seus apoiadores não parece ter surtido o efeito desejado, nem mesmo entre republicanos. “Muito pouco, muito tarde”, disse o estrategista republicano Karl Rove sobre a mensagem do presidente.

Trump incitou seus partidários a reagir com força contra a eleição “roubada” que tinha garantido a vitória do democrata Joe Biden. No comício de quarta (6), Trump disse que nunca concederia a vitória ao presidente eleito, mas, no vídeo, ele reconhece que um novo governo será inaugurado em 20 de janeiro, sem mencionar ou parabenizar seu sucessor.

Apesar de dizer que o país tinha vivido uma eleição intensa e que agora era o momento de “esfriar os ânimos e restaurar a calma”, em nenhum momento Trump assumiu qualquer responsabilidade pela violência do dia anterior.

A invasão causou a morte de Ashli Babbitt, veterana da Força Aérea de 35 anos, que levou um tiro de um policial do Congresso quando tentava forçar a entrada em um dos recintos. Babbitt era seguidora do grupo de extrema direita QAnon que promove teorias conspiradoras. Na véspera do comício, ela havia tuitado “Nada nos deterá…. eles podem tentar e tentar, mas a tempestade está aqui e está descendo sobre DC [capital americana] em menos de 24 horas…. escuro para a luz!”

A referência à “tempestade” diz respeito a uma teoria do grupo QAnon de que Trump punirá os democratas e a elite de Hollywood por seus supostos crimes de pedofilia. Além da veterana, mais três pessoas morreram durante a invasão. Até agora, as outras três mortes estão sendo classificadas como “emergências médicas”, sem mais informações específicas.

Grupos conspiracionistas

No momento, tudo indica que a maior parte dos invasores era composta por seguidores do grupo conspiracionista QAnon. Eles queriam intimidar os membros do Senado e da Câmara de Representantes que participavam de uma sessão conjunta presidida pelo vice Mike Pence para validar os votos do colégio eleitoral e completar a etapa final para oficializar que Biden seria o 46º presidente americano, tendo Kamala Harris como sua vice. Os afiliados do QAnon pretendiam pegar as tradicionais caixas de madeira onde os votos são guardados. No entanto, as duas caixas idênticas foram salvas momentos antes da multidão invadir a câmara.

Depois das cenas de violência serem contidas, ainda no mesmo dia, o deputado republicano Matt Gaetz (Flórida) sugeriu que havia alguns membros do grupo de extrema esquerda Antifa infiltrados entre os pró-Trump, que poderiam ser também responsáveis pela violência.

É possível que membros de outros grupos também tenham participado dos atos ilegais, segundo as autoridades, mas esse número seria mínimo. Apesar de centenas de milhares de apoiadores do presidente americano estarem presentes nas ruas da capital americana depois do comício, apenas cerca de 200 pessoas participaram da invasão do Congresso.

Apesar de ser detestado pelos democratas e por membros do seu próprio partido, depois que chegou à Casa Branca, em 2017, Trump conseguiu fazer algumas alianças com republicanos de peso, como o líder do Senado, Mitch McConnell (Kentucky) e o senador Lindsey Graham (Carolina do Sul).

Mas, em poucas horas, o cenário político mudou drasticamente em Washington. Depois dos confrontos violentos, Graham declarou perante o Senado que sua lealdade ao presidente chegara ao fim. Desde os eventos desta quarta (6), diversos membros do gabinete de Trump, já abandonaram o cargo, inclusive a secretária dos Transportes, Elaine Chao, casada com McConnell, e a secretária da Educação, Betsy DeVos.

Pedido de impeachment não deve prosperar

Grande parte da liderança democrata pede que Trump sofra um impeachment imediato. Mas, a duas semanas do fim do seu mandato, é muito improvável que o processo ganhe apoio suficiente, ou mesmo seja viável em termos logísticos. Um eventual impeachment, no entanto, garantiria que Trump jamais poderia se candidatar à presidência novamente.

Momentos depois de o presidente americano tuitar o pronunciamento em vídeo afirmando que seu foco agora seria uma transição de poder tranquila, seus eleitores mais fiéis e membros do QAnon já cogitavam no Twitter que Trump poderia ter um trunfo na manga para ainda continuar na presidência depois de 20 de janeiro, ou pelo menos, voltar à Casa Branca em 2024.

“Nossa incrível jornada está apenas começando”, disse Trump aos seus esperançosos seguidores.

No vídeo de quinta (7), o presidente destacou ter “imediatamente” enviado tropas da Guarda Nacional durante as cenas de violência no Capitólio. Segundo o secretário interino de Defesa, Christopher Miller, ele e o Chefe do Estado-Maior, General Mark Milley, falaram com Pence e Nancy Pelosi, presidente da Câmara, sobre ativar Guarda Nacional de Washington. A declaração não fez menção a Trump e, segundo alguns relatos, foi o vice-presidente que deu ordem para que a Guarda Nacional fosse despachada para o congresso.

Policial morre dois dias após ataque

A polícia encarregada da segurança do Congresso, em Washington, divulgou um comunicado nesta quinta-feira (7) para anunciar a morte do policial Brian D. Sicknic, ferido durante o confronto com os militantes pro-Trump na quarta-feira (6) e levado para o hospital. Ele trabalhava no serviço de segurança do Congresso desde julho de 2008.

O chefe da polícia do Capitólio, Steven Sund, pediu demissão nesta quinta-feira (7). Ele deixará o cargo no próximo dia 16 de janeiro.

Noticiário Francês 

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