Os militares russos dobram a bandeira nacional durante a cerimônia de início da retirada das tropas de manutenção da paz da Organização do Tratado de Segurança Coletiva (CSTO) do Cazaquistão, em Almaty, Cazaquistão. 13 de janeiro de 2022.
 REUTERS – PAVEL MIKHEYEV

Os mais de 2 mil soldados liderados pela Rússia começaram a deixar o Cazaquistão nesta quinta-feira (13), após declararem sua operação de “manutenção de paz” terminada no país, que viveu uma semana de grandes manifestações contidas com forte repressão. Mais de 12 mil pessoas foram presas no país desde o início da crise, no dia 2 de janeiro.

De Anissa el Jabri, correspondente da RFI em Moscou.

Pela manhã, uma cerimônia solene foi organizada em Almaty, maior cidade cazaque, para a retirada dos soldados da Organização do Tratado de Segurança Coletiva (CSTO), uma aliança militar liderada por Moscou.

“A operação de manutenção da paz terminou, as tarefas foram cumpridas”: sentenciou o general russo Andrei Serdyukov, comandante do contingente de mais de 2000 soldados, entre eles russos, bielorrussos e armênios. A tropa deve terminar sua retirada até o dia 22 de janeiro.

Com a partida das forças estrangeiras, a segurança dos edifícios públicos e de infraestrutura do Cazaquistão voltam a ser de responsabilidade das forças armadas do país, sob as leis cazaques.

O que parece um retorno à normalidade, após uma semana de dura repressão com ajuda russa contra a revolta social que tomou o país, acontece em um contexto de ligeiro atrito entre os governos de Moscou e de Nur-sultã.

O recém-nomeado ministro da Informação do Cazaquistão, Askar Oumarov, é considerado um “russofóbico”, como acusa parte da imprensa cazaque e de autoridades russas. Em um discurso durante as comemorações do final da Segunda Guerra Mundial, no dia 9 de maio, ele teria dito para a minoria russa do país: “Não se esqueçam de que vocês não são nativos”.

Oumarov é visto como alguém próximo do governo turco, o que mostraria uma tentativa de aproximação entre o presidente cazaque Kassym-Jomart Tokaiev e Recep Erdogan.

O ministro em questão pediu para não ser demonizado, mas demasiado tarde: o chefe da Roscosmos, a agência espacial russa, aconselhou-o a não ir a Baikonur, a famosa base espacial soviética, agora arrendada pela Rússia ao Cazaquistão até 2050.

12 mil presos, centenas de feridos e muitos mortos

O Cazaquistão, um país com reputação de estabilidade, foi abalado na semana passada por uma onda de revolta social e violência que não era vista desde sua independência, em 1991. Tudo começou no domingo (2), após o anúncio de aumento do preço de gás e explodiu em manifestações contra o governo.

A repressão das manifestações foi dura, com o presidente afirmando que os organizadores eram terroristas e pedindo à polícia para atirar para matar. Centenas de pessoas ficaram feridas e, pelo menos, 12 mil pessoas foram presas ao longo da semana. Não se sabe quantas pessoas foram mortas, no último domingo o ministério da Informação chegou a publicar um balanço de 164 vítimas fatais, mas voltou atrás.

Calma volta a Almaty

As piores cenas de violência foram vistas em Almaty, capital econômica do país. Houve saques a lojas, tiroteios nas ruas e edifícios públicos foram incendiados.

Nesta semana, a situação da cidade gradualmente volta ao normal, com a retomada do transporte público e a maioria das lojas e restaurantes reabrindo. Além disso, o aeroporto de Almaty, fechado desde a semana passada após ser saqueado, recebeu seu primeiro vôo civil na quinta-feira.

(Com informações da AFP)

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