O chefe do Gabinete de ministros, Juan Manzur, e ministra da Saúde, Carla Vizzotti, anunciam flexibilizações nas medidas sanitárias anticovid na Argentina.
 © Presidência Argentina/Maria Eugenia Cerutti

Depois de onze meses de fronteiras fechadas, os brasileiros poderão voltar a viajar à Argentina. A abertura completa será a partir de 1º de novembro. A medida faz parte de um pacote de flexibilizações. Mais do que decisões sanitárias, a abertura visa reverter a dura derrota eleitoral do governo nas eleições primárias.

Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires

O governo argentino anunciou nesta terça-feira (21) a flexibilização de todas as restrições ou a eliminação de algumas proibições no contexto da pandemia. Entre elas, se destacam a reabertura das fronteiras aos turistas estrangeiros, o fim da obrigatoriedade do uso de máscaras em espaços abertos e a volta do público a eventos maciços.

“Talvez estejamos vivendo a última fase desta pandemia”, indicou o novo chefe do Gabinete de ministros, Juan Manzur, ao lado da ministra da Saúde, Carla Vizzotti, no primeiro anúncio de boas notícias desde que a derrota eleitoral, em 12 de setembro, levou o governo a reformular a sua equipe de ministros.

A partir de 1º de novembro os turistas estrangeiros poderão entrar na Argentina. As fronteiras estavam fechadas desde 25 de dezembro do ano passado. Mas para entrar no país, os visitantes terão que respeitar algumas exigências, como apresentar o comprovante de vacinação completa com, pelo menos, 14 dias a partir da segunda dose, independentemente da marca da vacina.

O turista também deverá apresentar um teste RT-PCR realizado até 72 horas antes da viagem e um teste antígeno no aeroporto de desembarque no país. Entre o 5º e o 7º dia depois da chegada à Argentina, deverá apresentar um novo teste PCR.

Quem não tiver o esquema completo de vacinação, incluindo os menores de idade, ficará isolado numa quarentena obrigatória, além de precisar realizar todos os testes mencionados.

Os exames não serão mais obrigatórios quando a Argentina atingir 50% da população vacinada. Atualmente, o país tem 44,8% da população com as duas doses.

“Dessa maneira, minimizamos o impacto do aumento de hospitalizações e de mortes. Faltam 2,5 milhões de doses para chegarmos à metade da população com duas doses”, disse a ministra Carla Vizzotti.

Período de transição

Antes do dia 1º de novembro, os estrangeiros que quiserem entrar no país deverão cumprir com outros requisitos que serão eliminados, gradualmente, até a abertura em novembro. A partir de 24 de setembro, quem viajar a trabalho ficará isento da quarentena.

A partir de 1º de outubro, os visitantes de países vizinhos (Brasil, Uruguai, Paraguai, Bolívia e Chile) poderão entrar pelas fronteiras terrestres, mas com limitações diárias na quantidade de pessoas, de acordo com a capacidade sanitária de cada jurisdição.

As fronteiras terrestres da Argentina estão fechadas até mesmo para os argentinos desde dezembro passado.

A limitação diária do número de pessoas que podem entrar no país, seja por via aérea, fluvial, marítima e terrestre, será gradualmente ampliada até a abertura em 1º de novembro. Atualmente, apenas 2 mil pessoas podem entrar na Argentina por dia e unicamente pelo aeroporto de Buenos Aires.

Flexibilizações internas

Mesmo com menos da metade da população completamente vacinada e com a variante Delta ainda representando risco, o uso de máscaras deixará de ser obrigatório nos espaços abertos sempre que a pessoa estiver sozinha ou com pessoas com quem convive. O uso de máscaras continuará obrigatório em espaços fechados e quando houver aglomeração de pessoas.

A presença de clientes, trabalhadores ou fiéis em bares, restaurantes, lojas, igrejas e empresas volta a ser autorizada sem limitações. As atividades econômicas, industriais, comerciais, religiosas, culturais, esportivas, recreativas e sociais foram liberadas, sem restrições de público, desde que mantidas medidas de prevenção como ventilação, máscaras, distância social.

As discotecas voltam a funcionar com 50% da capacidade de clientes que deverão apresentar o esquema completo de vacinação. “Essa é a atividade de maior risco, considerando a variante Delta”, salientou a ministra da Saúde, Carla Vizzotti.

São autorizados também os eventos com mais de mil pessoas, mas com a metade da capacidade de cada local. A vacinação completa e um diagnóstico médico contra a Covid-19 (PCR ou antígeno) também será requisito para a reabertura de salões de festa e de dança.

Todas as medidas internas entram em vigor a partir de 1º de outubro ou conforme as datas definidas em decretos e medidas administrativas que ainda serão publicados.

Pressa eleitoral

Mais do que sanitárias, as decisões estão associadas à dura derrota eleitoral dos candidatos governistas nas eleições primárias de 12 de setembro. Com a divulgação de boas notícias econômicas e de flexibilização, o Governo pretende atenuar a derrota ou mesmo reverter o resultado nas eleições legislativas de 14 de novembro.

“Os mesmos que mantiveram a quarentena mais prolongada do mundo, com todas as fronteiras fechadas e com milhares de falências, agora, em dez minutos, anunciam o fim de tudo. Estão criando expectativas. Erraram no ‘timing’. Agora, nem que organizem um Carnaval, vão conseguir reverter o resultado e estaremos numa bagunça ainda mais profunda depois”, apontou o economista Carlos Melconian, uma referência na Argentina.

Com 45 milhões de habitantes, a Argentina teve até agora 5,241 milhões de contaminados, dos quais 114.518 faleceram.

Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires

Noticiário Francês 

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui