Estudantes de medicina prestam homenagem ao colega Khant Nyar Hein, morto no último domingo (14), durante manifestação em Yangon, capital econômica de Mianmar.
 AP

Os cidadãos birmaneses ocuparam as ruas de várias cidades de Mianmar nesta terça-feira (16) para prestar homenagens aos dezenas de manifestantes mortos pelas forças de segurança nos últimos dias. A sangrenta repressão deixou mais de 180 vítimas desde o golpe de Estado de 1° de fevereiro, que destituiu a líder Aung San Suu Kyi.

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No último domingo (14), Mianmar foi palco de um banho de sangue. Neste, que foi o dia mais violento desde o início dos protestos, 74 pessoas morreram.

Uma das principais homenagens ocorreu em Yangon, capital econômica do país. Centenas de estudantes de medicina participaram do funeral de Khant Nyar Hein, 18 anos. Vestidos com jalecos, eles de despediram do colega levantando três dedos diante de seu caixão, um sinal usado pela resistência.

Um último adeus também foi realizado a vários manifestantes mortos em Hlaing Tharyar, periferia de Yangon. “Paz a nossos heróis”, “que seus espíritos repousem em paz”, publicaram internautas nas redes sociais.

Diante do agravamento das violências, muitos moradores decidiram deixar a localidade. “Não ousamos sair na rua. Em casa, ouvimos tiros durante toda a noite”, diz uma moradora.

Qualquer pessoa que seja presa pela polícia nas ruas de Hlaing Tharyar e de outras cinco regiões onde foi decreta a lei marcial corre o risco de enfrentar um processo diante de um tribunal militar e ser condenado a uma pena mínima de três anos de trabalhos forçados.

Banho de sangue

A sangrenta repressão do último domingo gerou protestos por parte de líderes e autoridades no mundo inteiro. O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, denunciou o que classificou como “um banho de sangue”. Ele também fez um pedido para a comunidade internacional “inclusive responsáveis regionais a se unirem em solidariedade com o povo birmanês e suas aspirações democráticas”.

O secretário de Estado americano, Antony Blinken, condenou a utilização de armas de fogo contra os manifestantes, acusando a junta militar no poder de “desrespeitar os resultados de uma eleição democrática”, que deu a vitória, no final do ano passado, ao partido de Aung San Suu Kyi.

A China de declarou “muito preocupada” com a segurança de seus cidadãos que vivem em Mianmar depois das violências em Hlaing Tharyar, onde há cerca de 30 usinas chinesas.

O golpe de Estado também castiga a economia do país. Centenas de funcionários continuam em greve, afetando vários setores. O Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas fez um alerta nesta terça-feira contra “o aumentos do preços da comida e de combustíveis”, um problema que afeta principalmente os mais pobres.

Quase 2.200 presos

O alto número de pessoas presas também preocupa a comunidade internacional. Desde 1º de fevereiro, quase 2.200 pessoas foram detidas, incluindo Aung San Suu Kyi, de 75 anos, que permanece incomunicável, assim como políticos, autoridades locais, ativistas, artistas e funcionários públicos em greve.

A ex-líder deveria ter participado de uma audiência por videoconferência na segunda-feira (15), mas a sessão foi adiada por falta de acesso a internet no país.

Vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 1991, Aung San Suu Kyi é acusada de quatro infrações. Também foi acusada de corrupção porque, segundo o regime, teria recebido US$ 600.000 em subornos e mais de 11 quilos de ouro. A próxima audiência está prevista para 24 de março.

(Com informações da AFP)

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