O advogado de Flávio Bolsonaro, Fred Wassef Foto: Daniel Marenco / Agência O Globo

Rio – A operação que prendeu o ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), Fabrício Queiroz na manhã desta quinta-feira foi batizada pelos investigadores de “Operação Anjo”. O GLOBO apurou que o nome foi dado por causa do apelido do advogado Frederick Wassef. Ele era chamado de “Anjo” pelo clã bolsonarista na intimidade.

Queiroz foi preso em Atibaia, no interior de São Paulo, em um endereço que é identificado como um escritório de Wassef. O advogado representa Flávio no procedimento de investigação do MP. Segundo o delegado da Polícia Civil Nico Gonçalves, em entrevista à GloboNews logo após a operação, um caseiro do local informou que Queiroz estava há cerca de um ano naquele endereço. Tanto Wassef quanto Flávio disseram, nos últimos meses, não ter conhecimento do paradeiro de Queiroz.

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A operação que prendeu Queiroz é conjunta do Ministério Público do Rio de Janeiro e da Polícia Civil de São Paulo denominada Anjo. Ele e o senador são investigados pelo esquema da rachadinha na Assembleia Legislativa do Rio.

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O delegado Nico Gonçalves também afirmou à GloboNews que o portão da casa foi arrombado. Foram apreendidos dois celulares e documentos e um pequeno valor em dinheiro. Ele estava sozinho na casa.

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O MP do Rio também cumpre mandados de busca e apreensão em diversos endereços da capital. Ele foram expedidos em uma decisão de 46 páginas do juiz Flávio Itabaiana, da 27ª Vara Criminal do TJ do Rio. Foi decretado segredo de justiça no caso. Um dos mandados foi cumprido na casa de Bento Ribeiro, escritório político da família Bolsonaro.

Atuação discreta

A escolha de Wassef para atuar como advogado de Flávio Bolsonaro causou surpresa no meio. A atuação dele como advogado principal em causas é quase nula. Segundo fontes ouvidas pelo GLOBO, Wassef atua mesmo é nos bastidores, dando suporte a clientes de outras bancas, principalmente em casos que têm policiais como réus.

Maria Cristina e Wassef teriam se aproximado de Eduardo Bolsonaro e de Jair Bolsonaro num episódio nebuloso: o da pílula do câncer. Os então deputados federais Jair e Eduardo Bolsonaro foram assinaram o projeto, que num único dia deu entrada e foi aprovado na Câmara. Wassef teria participado da elaboração do projeto. O poder público teria de fornecer gratuitamente a pílula.

Descoberta por um professor da Universidade de São Paulo, a pílula gerou controvérsia e uma pesquisa mostrou que não teria qualquer benefício. O uso pílula acabou vetado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A principal disputa judicial em que Wassef havia aparecido, antes de atuar no caso Flávio, envolve sua ex-mulher, a empresária Maria Cristina Boner Leo, e o ex-marido dela, Antonio Bruno Di Giovani Basso.

Maria Cristina e Wassef iniciaram um romance antes que o relacionamento com Basso tivesse tido um ponto final. Wassef e Basso se tornaram inimigos e Basso levou a pior, chegando inclusive a ser preso, acusado de ter feito ameaças à ex-mulher.

Basso foi executivo da Microsoft no Brasil. Maria Cristina, a representante da Microsoft no Brasil. Juntos tornaram a empresa TBA, de Cristina, na principal representante da Microsoft para vendas ao setor público.

Em 2009, Maria Cristina acabou flagrada na Operação Caixa de Pandora – a empresa teria patrocinado o mensalão do DEM em troca de contratos na área de informatica. Na Lava-Jato, a B2BR, outra empresa do grupo de Maria Cristina, apareceu tendo feito pagamentos às empresas de Paulo Roberto Costa, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras.

Quando Jair Bolsonaro assumiu a presidência, Wassef passou a ser visto com mais frequência com a família Bolsonaro. Ele já estava separado de Maria Cristina há cerca de dois anos, mas mantém a amizade.

Considerado discreto, Wassef circula principalmente entre Brasília e Rio, embora mantivesse o endereço do escritório em Atibaia.

Extra 

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