Em conversas com a coluna, por telefone e por Whatsapp, uma fonte graúda do Partido dos Trabalhadores revelou: por intransigência da Direção Municipal do partido, em João Pessoa, deixou-se de formar uma grande frente com as legendas que representam o campo democrático popular, visando as eleições municipais em João Pessoa.

Com pedido de reserva de sua identidade, a certa altura a fonte, que participou de todos os entendimentos, chega a afirmar: “A candidatura de Anísio Maia não interessa ao PT. A quem interessa, eu não sei…”

O petista acrescentou que a intervenção na decisão da convenção do PT pessoense foi antecedida de muito diálogo com a participação da Direção Nacional do Partido dos Trabalhadores.

Ao longo do relato a fonte também previu: se a Direção Municipal judicializar este processo, vai perder, e ainda deixou transparecer que a candidatura de Anísio Maia será retirada para saldar um acordo da Direção Nacional com o PSB que, em Salvador, retirou uma candidatura em favor do PT em troca do apoio do PT à candidatura do PSB à prefeitura de João Pessoa.

Eis o relato da fonte petista à coluna:

Não houve imposição. O diálogo da Direção Nacional do PT com a Direção Municipal (em João Pessoa) já vinha há quase trinta dias, num processo profundo de diálogo para a construção de uma frente que passava pelo PSB, PC do B, PT, incluindo Edilma Freire (PV).

Essa Frente não deu certo. Depois, foi construída a possibilidade de uma candidatura do PSB, que não seria Ricardo Coutinho; seria Estelizabel ou outro nome, com o PT indicando a vice.

Esse diálogo foi profundo, vinha sendo conversado há muito tempo.
O PT (Direção Municipal) negou a primeira frente ampla; negou essa frente com o PSB e o PC do B, mantendo a candidatura própria e dizendo que se o nome fosse Ricardo Coutinho seria diferente. Aí, na última hora, Ricardo Coutinho decidiu colocar o nome e o PT ficou sem argumento.

Essa manutenção da candidatura de Anísio Maia não interessa ao PT. A quem interessa, eu não sei. Mas houve um profundo diálogo. Gleisi Hoffmann fez umas quatro ou cinco reuniões com a direção municipal de João Pessoa. Guimarães, deputado federal pelo Ceará e coordenador do trabalho eleitoral fez várias reuniões aqui, também; Paulo Teixeira, deputado federal por São Paulo, também fez várias reuniões.

Então, nada foi feito sem ser conversado. O problema é que a Direção Municipal estava intransigente em manter uma candidatura que, do ponto de vista eleitoral, é inviável e só faz rachar o campo democrático popular e progressista aqui”.

Perguntada sobre a possibilidade de a Direção Nacional aplicar uma intervenção na Direção Municipal, a fonte respondeu:

“A Intervenção na direção é um processo muito traumático e difícil de acontecer. Agora, a intervenção no processo da convenção já foi feito. Se a Direção Municipal insistir, judicializar, ou coisa desse tipo, eu acho que as consequências finais devem ser coisa desse tipo aí. Não sei se chega a tanto, mas tem previsão estatutária.”

Por telefone, a fonte petista ainda explicou à coluna o seguinte, sobre uma das composições cogitadas:

“Seria Edilma Freire (PV) com o PSB indicando a vice, mais o PT e o PC do B. A grande frente dos partidos de esquerda; aquela que foi formada nos anos 80. A Direção Municipal do PT não topou, alegando que Luciano traiu o PT”

Logo em seguida, Ricardo Coutinho retira o pedido da vice. Ele disse: ‘Olha, eu tenho condições de indicar a vice, mas eu abro mão para o PT indicar’. Mesmo assim o PT não topou. Aí descarta a aliança com o PV.

Ricardo Coutinho volta a dialogar com Gleisi, com Lula e Guimarães, no sentido de fazer uma frente com PSB, PT e PC do B. Gleisi nos autorizou a ir conversar, o PT abriu negociação com Ricardo; Ricardo lança o nome de Estela (Estelizabel Bezerra) para o PT indicar o vice, mesmo assim o PT não aceitou, mantendo a candidatura de Anísio Maia.
Nas reuniões que aconteceram com Gleisi, umas três reuniões com a Direção Municipal aqui, o pessoal ficava dizendo que se o candidato fosse Ricardo era diferente, porque Estela não tem força eleitoral, é isso e aquilo.

Quando chega no dia da convenção, Ricardo decide ser candidato. E aí combina com Lula e com Gleisi o apoio do PT. E aí Lula e Gleisi autorizam o apoio, e a Direção Municipal insiste em manter a candidatura de Anísio, com 1% de intenção de voto.
Ou seja: O PSB nacional retirou a candidatura, em Salvador, para apoiar a candidata do PT, para que o PT fizesse o gesto aqui em João Pessoa e o PT não fez. Aí houve a intervenção, porque a Direção Municipal estava intransigente.
E na reunião do Diretório Nacional, que aprovou a intervenção, a votação foi 52 a 13 pela intervenção.
Aí a Direção Nacional mandou apoiar Ricardo com o PT indicando o vice.
Qual é a grande questão, hoje? Ninguém do PT quer ser vice. Todos estão dizendo que é golpe, mas não foi. Isso foi negociado e conversado há muito tempo.
Agora, um ou outro está voltando atrás, querendo dialogar, achando que não adianta Anísio insistir. Mas eles vão judicializar o processo e vão perder. Por que? `Porque desde abril a Direção Nacional protocolou junto ao TSE uma ata dizendo que nas capitais quem define a tática eleitoral é a Direção Nacional, ou seja: o município define, mas a Direção Nacional tem que dar a palavra final.

Então, não adianta judicializar, porque vão perder.

Wellington Farias

PB Agora

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