Começou nesta segunda-feira (5), em formato digital, a Expofeira Pelotas, uma das mais importantes feiras do agronegócio brasileiro. A Sputnik Brasil conversou com autoridades do setor sobre os desafios da agropecuária no país.

Um dos setores mais importantes da balança comercial brasileira, o agronegócio vem ganhando bastante destaque, seja pelos bons números mesmo durante a pandemia ou pela ligação do setor com o desmatamento, que vem causando grandes reações externas.

O presidente da Associação Rural de Pelotas (RS), Rodrigo Gonzalez, em entrevista à Sputnik Brasil, observou que o agronegócio é “muitas vezes tratado como a locomotiva da economia do nosso país“. De acordo com ele, o agronegócio desempenha um importante papel não só na questão econômica, mas também na questão social.

“Somos produtores de alimentos e o setor primário tem a sua importante parcela de responsabilidade dentro da nossa sociedade. Somos responsáveis também por seguir trabalhando mesmo em períodos difíceis, então entendemos que o agronegócio precisa sim enxergar essa responsabilidade, fazer o seu papel social mesmo nessas horas duras”, argumentou.

De acordo com ele, o agronegócio brasileiro ainda encontra grandes desafios, mas que “muitos deles estão relacionados a políticas internacionais”.

“Eu destaco o custo logístico que existe no Brasil, que é algo que chama a atenção quando comparado a outros países do mundo. Também sempre temos uma discussão no Rio Grande do Sul sobre a competitividade em relação a outros estados do país, e é um ponto que envolve políticas públicas”, afirmou.

O vice-presidente da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), Hélio Sirimarco, por sua vez, disse à Sputnik Brasil que a crise provocada pelo novo coronavírus “vai gerar e está gerando já novas tendências e acelerando as tendências existentes na demanda de commodities agrícolas”.

Ao comentar a pressão que o agronegócio vem sofrendo no contexto dos problemas ambientais do Brasil, Sirimarco afirmou que o setor está “sofrendo uma campanha muito forte, principalmente vindo do exterior, com relação a esses problemas”.

“Os incêndios, que estão acontecendo, especialmente na região do Pantanal, estão sendo colocados como se fossem culpa do setor agropecuário, quando na realidade o setor agropecuário é vítima também. Nós temos visto produtores do Centro-Oeste sendo afetados, tendo suas propriedades atingidas, registrando perdas consideráveis”, declarou.

Com relação ao chamado bioma amazônio, o vice-presidente da SNA argumentou que o problema dos incêndios não ocorre somente no Brasil, mas também vem afetando os EUA, na Califórnia, em particular, e a Europa.

“Nós estamos passando por uma temporada climática extremamente complicada, com temperaturas extremamente elevadas, tempo extremamente seco, não chove na região Centro-Oeste”, afirmou.

De acordo com ele, o setor precisa criar um plano estratégico de comunicação para mostrar ao país e ao mundo o seu real desempenho, principalmente nas áreas de preservação do meio ambiente, desenvolvimento sustentável da Amazônia e o combate à ilegalidade.

“O produtor brasileiro, segundo os líderes do setor, consegue proteger sua lavoura, suas reservas legais e suas áreas de proteção permanente, mas tem dificuldade de transmitir isso para a sociedade brasileira e para o exterior, ficando com a sua imagem prejudicada”, completou.

Sputnik 

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