Carlos Soto, à direita, espera que a troca de governo acalme o clima de violência no país.
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A pandemia de coronavírus e a ameaça de novos ataques de manifestantes trumpistas tornaram a posse de Joe Biden inédita: nunca os americanos foram obrigados a ficar tão distantes de um momento histórico como este. Apesar do pesado esquema de segurança, que bloqueou todos os acessos ao Capitólio e a Casa Branca, alguns insistiram em tentar participar.A jovem Camila Ohara, 18 anos, estava entusiasmada com a posse, apesar da distância.

A jovem Camila Ohara, 18 anos, estava entusiasmada com a posse, apesar da distância. © Lúcia Müzell/RFI

Lúcia Müzell, enviada especial aos Estados Unidos

Entre eles, uma maioria de americanos latinos ou negros. “Parem de odiar uns aos outros só porque discordam”, dizia o cartaz de um homem que levou música ao bloqueio policial da New Jersey Avenue, o ponto mais próximo do Capitólio autorizado àqueles que não tinham um convite oficial para assistir à cerimônia.

Para evitar desacatos, 25 mil soldados foram destacados na capital para a cerimónia de investidura.
Para evitar desacatos, 25 mil soldados foram destacados na capital para a cerimónia de investidura. © Lúcia Müzell/RFI

”Nós estamos muito orgulhosos de fazer parte disso, porque queremos mudança, queremos a união do país. Queremos ver esse momento lindo que estamos vivendo, mesmo se for de longe. É uma experiência diferente, mas é uma grande experiência”, disse a jovem Camila Ohara, 18 anos.

Transição pacífica, apesar do isolamento

As barreiras, armas e, sobretudo, a distância não pareciam frustrar ninguém – pelo contrário. “Depois do que aconteceu no dia 6, eles só querem garantir a segurança de todos. É necessário, afinal não queremos que se repita o que ocorreu”, ressaltou Michael, que trazia uma bandeira do movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam) nas costas. “Eu sabia que não seria possível me aproximar, mas fiz questão de vir mesmo assim para mostrar [para os trumpistas] que eles não vencerão nunca neste país. Não permitiremos, e o nosso novo presidente também não.”

O casal Marvin e Fanny considera as medidas excepcionais de segurança necessárias. "A democracia vence se a transição é pacífica”, argumenta Marvin.
O casal Marvin e Fanny considera as medidas excepcionais de segurança necessárias. “A democracia vence se a transição é pacífica”, argumenta Marvin. © Lúcia Müzell/RFI

O casal Marvin e Fanny concorda. Para eles, o isolamento da posse e a fortaleza em que se transformou Washington não representam um perigo à democracia. “Tinha que ser assim. A democracia vence se a transição é pacífica”, argumenta Marvin. “É a história acontecendo. A primeira mulher, representando minorias, é a nova vice-presidente. Estamos com muita esperança e queríamos participar disso”, completou.

Faltando duas semanas para a posse, milhares de apoiadores do agora ex-presidente Donald Trump invadiram o Capitólio e prometeram impedir a transição do poder, por não reconhecerem a derrota do republicano. A insurreição levou às ruas de Washington 25 mil homens e mulheres da Guarda Nacional, um esquema de segurança inédito que acabou por dissuadir os planos de novos protestos, anunciados pelos militantes de extrema direita. A cerimônia ocorreu sem incidentes.

Imprensa acompanha de longe a posse do 46° presidente dos Estados Unidos
Imprensa acompanha de longe a posse do 46° presidente dos Estados Unidos © Lúcia Müzell/RFI

“Violência precisa parar”, diz eleitor democrata

“Não importa se estou longe, é uma honra estar aqui. Depois dos últimos quatro anos, e muito emocionante, para dizer o mínimo”, afirmou Carlos Soto, eleitor do novo presidente. “Vamos mudar a América, é um novo dia. Biden está determinado a unir a América. Toda essa violência precisa simplesmente parar”, ressalta o jovem.

Partidários de Biden acompanham de longe a cerimônia
Partidários de Biden acompanham de longe a cerimônia © Lúcia Müzell/RFI

O especialista em marketing esportivo Mike tentava tirar fotos do Capitólio, instantes antes da chegada de Biden ao local. “Eu acredito naquilo que levou Biden e Harris até aqui. Acredito na democracia e quis estar aqui para demonstrar isso”, justifica. “Apesar de tudo que está acontecendo, ter este momento de estarmos juntos, por mais que seja de tão longe e por pouco tempo, é muito marcante para mim.”

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