Ucrânia: após reunião com enviados dos EUA, Zelensky insiste em diálogo direto com Putin para o fim do conflito
Os enviados dos Estados Unidos, Steve Witkoff e Jared Kushner, afirmaram que tiveram discussões "significativas" neste domingo (6) com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, sobre o fim da guerra com a Rússia. No entanto, Zelensky avaliou que o conflito iria continuar durante o inverno, citando a falta de disposição do líder russo, Vladimir Putin, em negociar diretamente com ele.

Tanto a Rússia quanto a Ucrânia precisam fazer “concessões” para que a guerra termine, disse Witkoff (esquerda) a Zelensky (direita). © Genya SAVILOV / AFP
“Contamos com o apoio de nossos parceiros europeus caso a guerra se prolongue pelo inverno, o que parece ser o caso por enquanto”, disse Zelensky durante uma coletiva de imprensa após suas conversas com Steve Witkoff e Jared Kushner, genro do presidente dos EUA, Donald Trump.
Depois do encontro com o líder ucraniano, Steve Witkoff enfatizou que tanto Moscou quanto Kiev precisariam ceder em algumas de suas reivindicações a fim de encontrar uma saída para a guerra, que começou em 2022.
“Ambos os lados precisarão fazer concessões e reduzir suas divergências, e acreditamos que temos os elementos necessários para alcançar isso”, disse ele. “É muito difícil, mas estamos determinados”, acrescentou.
No entanto, o presidente ucraniano sustentou que a questão territorial — central para o conflito — só poderia ser esclarecida por meio de reuniões entre chefes de Estado.
“Quero manter minha posição de que questões tão complexas (relativas a territórios) só podem ser resolvidas no nível de liderança”, disse Volodymyr Zelensky, que há muito tempo pede ao presidente russo para negociar diretamente com ele, algo que Vladimir Putin se recusa a fazer.
Mais cedo, outra rodada de conversas também ocorreu, envolvendo os dois enviados dos EUA, a delegação ucraniana e conselheiros europeus: o alemão Günter Sautter, o britânico Jonathan Powell e o francês Emmanuel Bonne.
“Planos substanciais”
No sábado (5), os dois enviados do presidente Trump estiveram em Moscou, onde discutiram “planos substanciais” para a Ucrânia com Putin. Segundo fontes russas, as negociações não se limitaram a uma troca de opiniões sobre a resolução da crise ucraniana.
Questões econômicas e potenciais grandes projetos russo-americanos mutuamente benéficos foram discutidos em detalhes. O que indica que uma resolução para o conflito não ocorrerá sem que Moscou receba concessões econômicas significativas, avalia o correspondente da RFI na Rússia, Jean-Didier Revoin.
Com AFP





