Presidente da Bolívia decreta estado de exceção; entenda
Objetivo é "liberar as rodovias do país"

Rodrigo Paz Foto: EFE/Presidencia de Bolivia
Neste sábado (20), o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, anunciou a imposição de estado de exceção “para liberar as rodovias do país”. A medida ocorre após sete semanas de protestos e bloqueios de estradas por setores camponeses e aliados do ex-mandatário Evo Morales, que exigem a sua renúncia.
Paz anunciou a medida com uma mensagem em suas redes sociais e outra na televisão, horas depois de assinar um acordo com a Central Operária Boliviana (COB) para “pacificar” o país, o qual foi rejeitado pelos outros dois setores em conflito: os sindicatos de camponeses de La Paz e os seguidores de Morales.
– Determinei a aplicação do Estado de Exceção para liberar as estradas do país. Os bolivianos não podem continuar sendo reféns de bloqueios que os impedem de trabalhar, estudar, receber atendimento médico, abastecer-se e levar o sustento aos seus lares – escreveu o mandatário em suas redes sociais.

Segundo informações divulgadas pela Presidência boliviana, a medida não supõe a suspensão de direitos, mas “ficam proibidos os bloqueios de vias e o uso de armas, explosivos e elementos violentos”.
Também foi determinado o “apoio temporário” das Forças Armadas à Polícia para “proteger rotas estratégicas, infraestrutura essencial e garantir o abastecimento”.
Em uma mensagem transmitida pela televisão, Paz defendeu que, quando começaram os protestos, decidiu “dialogar antes de confrontar”, em uma tentativa de diferenciar os setores com demandas “legítimas” daqueles que buscaram “transformar um protesto social em uma estratégia” de “ruptura democrática constitucional”.
– O que a Bolívia enfrenta hoje é uma estratégia organizada de desestabilização contra a democracia e um governo constituído, e devemos chamá-la pelo seu nome: uma tentativa de golpe de Estado a partir do narcoterrorismo – manifestou.
Ele reiterou sua acusação de que por trás disso existem “estruturas políticas organizadas” que supostamente operam a partir do Chapare, ou Trópico de Cochabamba, o reduto sindical e político de Evo Morales no centro do país.
O mandatário lamentou que esta “tentativa de desestabilização tenha causado dor, morte e sofrimento” e gerado “perdas econômicas incalculáveis”, razão pela qual, após esgotar “todas as instâncias de diálogo” e conseguir acordos “com os que tinham demandas legítimas”, decidiu declarar o estado de exceção.
A COB e a Federação dos Camponeses de La Paz lideraram desde 6 de maio os bloqueios de estradas para exigir a renúncia de Paz, somando depois o apoio de setores aliados ao ex-presidente Morales.
A Central Operária decidiu ontem suspender suas medidas de pressão após assinar um acordo com Paz, mas os camponeses e os aliados de Morales rejeitaram essa aproximação e anunciaram que manterão os seus bloqueios até conseguirem a renúncia de Paz.
O conflito causou o desabastecimento de alimentos, combustíveis e oxigênio medicinal em algumas cidades e deixou ao menos 16 mortos, 13 deles por falta de atendimento médico oportuno devido aos bloqueios, além de perdas econômicas estimadas em 3 bilhões de dólares (R$ 30, 91 bilhões).
*Com informações da Agência EFE




