Governo critica atuação da família Bolsonaro após medida dos EUA
Planalto reage à classificação de facções como terroristas pelos EUA e acusa aliados de Jair Bolsonaro de defenderem interferência estrangeira em assuntos internos do Brasil

O governo federal reagiu à decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas e criticou integrantes da família Bolsonaro por buscarem apoio estrangeiro em temas ligados ao Brasil. Em nota da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, o governo afirmou ser “deplorável” que membros da família Bolsonaro tenham viajado aos Estados Unidos para defender “intervenção estrangeira no Brasil”. O texto também faz referência ao episódio do tarifaço imposto anteriormente pelos norte-americanos, apontando que a medida causou prejuízos ao país.
O governo reiterou que a segurança pública não pode ser usada politicamente. O o tema é “importante demais para ser manipulado politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos”. Em outro trecho, citou “falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras interferência em assuntos brasileiros”.
A nota também diferencia o terrorismo internacional das ações praticadas por organizações criminosas no Brasil. De acordo com o governo, o terror causado pelas facções não deve ser confundido com motivações ideológicas, políticas ou religiosas associadas ao terrorismo internacional.
O Palácio do Planalto destacou ainda medidas adotadas no combate ao crime organizado, entre elas a proposta de lei contra facções e milícias, que prevê penas de até 80 anos de prisão — a maior punição prevista na legislação brasileira.
Também ressaltou que o combate ao crime organizado exige cooperação internacional e afirmou manter parceria histórica com diversos países, incluindo os Estados Unidos. Segundo a nota, o Brasil apresentou em 16 de abril ao Departamento de Estado norte-americano uma proposta voltada à ampliação da troca de inteligência, ao combate à lavagem de dinheiro no exterior e ao controle do tráfico internacional de armas
Apesar de defender a cooperação entre países, o governo criticou possíveis medidas unilaterais adotadas pelos Estados Unidos. De acordo com o texto, ações “arbitrárias” e sem negociação podem prejudicar o enfrentamento ao crime, comprometer o compartilhamento de informações entre forças policiais e gerar impactos econômicos.
A nota também menciona riscos ao sistema financeiro brasileiro e cita o PIX como exemplo de inovação nacional que, segundo o governo, “incomoda interesses estrangeiros”. “Trata-se de possível retrocesso no combate ao crime, risco à vida das pessoas e prejuízos econômicos ao país”, afirmou o governo.
No fim, o Planalto reforçou que “a soberania nacional é inegociável” e declarou rejeitar qualquer forma de interferência externa em assuntos internos do Brasil. “Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança”, conclui a nota.
Confira a íntegra da nota divulgada pelo governo Lula
Brasil é uma nação soberana que tem travado combate permanente contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e as demais facções e milícias que praticam o terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias. Enfrentar essas organizações criminosas com firmeza é, e continuará sendo, prioridade do Estado brasileiro.
O terror causado por essas organizações em comunidades busca obter lucro através do crime, especialmente pelo tráfico de drogas e armas, e não pode ser confundido com o tipo de ação por motivos ideológicos, políticos e religiosos do terrorismo internacional.
A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros.
É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país.
Aprovamos recentemente uma lei de combate às facções e milícias com penas que chegam a até 80 anos de prisão – a maior prevista em toda a legislação brasileira. O Governo do Brasil conduz o programa “Brasil contra o Crime Organizado”, que combate as facções e milícias desde o seu braço armado nas esquinas até o seu andar de cima.
O crime organizado não respeita fronteiras e seu combate exige ação conjunta. Construímos, ao longo de décadas, parcerias com vários países, inclusive com os Estados Unidos. O Brasil apresentou em 16 de abril deste ano, ao Departamento de Estado dos EUA, uma proposta focada na inteligência e na cooperação internacional que inclui ampliação dos controles sobre a lavagem de dinheiro praticada no exterior e sobre o tráfico de armas enviadas ao Brasil.
Qualquer colaboração internacional para o combate às facções será bem-vinda. Seguimos dispostos a construir soluções conjuntas benéficas aos países envolvidos. Mas não aceitaremos o uso de medidas arbitrárias vindas do estrangeiro como pretexto para atacar a nossa soberania e a nossa economia.
Medidas unilaterais, não negociadas, podem enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime. Podem reduzir a capacidade de compartilhamento de informações entre as polícias. Podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o PIX, que incomodam interesses estrangeiros.
Em resumo, trata-se de possível retrocesso no combate ao crime, risco à vida das pessoas e prejuízos econômicos ao país.
A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos. Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança.
Governo do Brasil




