Após 36 anos, condenado por matar ex-mulher com 72 facadas é preso

Imagem: Reprodução / BAND
Após uma espera de 36 anos e 8 meses, a Polícia Federal e autoridades paraguaias prenderam Marcos Campinha Panissa, condenado pelo assassinato da ex-companheira Fernanda Estruzani Panissa. O crime, que chocou Londrina em agosto de 1989, teve seu desfecho nesta semana com a extradição do criminoso, que estava foragido no país vizinho.
Fernanda tinha 21 anos na época do crime e estava separada de Panissa há dois anos. Ela foi surpreendida sozinha em seu apartamento e morta com 72 facadas. A filha do casal, ainda criança, estava com a avó materna no momento do ataque. Relatos de familiares que entraram no local logo após o homicídio descrevem uma cena de extrema violência, com tentativas do agressor de esconder vestígios de sangue utilizando roupas da própria vítima.
O longo percurso jurídico e a fuga
Marcos Panissa chegou a admitir o crime diante de um júri popular durante o processo, mas respondeu a boa parte da ação em liberdade devido a sucessivos recursos da defesa. Ele teve prisões decretadas em 1991 e 1992, mas tornou-se foragido oficial apenas anos depois.
Em 2008, amparada por uma mudança na legislação brasileira que permitiu julgamentos sem a presença do réu, uma nova sessão do Tribunal do Júri o condenou a mais de 20 anos de reclusão. Desde então, ele vivia no Paraguai com uma identidade falsa, onde constituiu uma nova família e mantinha atividades comerciais na cidade de San Lorenzo.
Captura e sensação de justiça
A prisão aconteceu em Assunção e foi coordenada pela Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (SENAD) em conjunto com a Polícia Federal brasileira. A operação, batizada de “Memento Mei” — expressão em latim que significa “lembre-se de mim” —, ocorreu no momento crítico em que o crime estava a apenas um ano de prescrever.
Para Jalil Rachid, secretário do Grupo de Investigação da polícia paraguaia, a captura entrega uma mensagem fundamental da Justiça. Panissa foi conduzido até a Ponte da Amizade, em Foz do Iguaçu, onde foi entregue às autoridades brasileiras para o início imediato do cumprimento da pena. Para a família de Fernanda, o momento representa o fim de quatro décadas de impunidade e um alívio histórico.
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